"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

GOING BLANK AGAIN #6

AMUSEMENT PARKS ON FIRE

Origem: Nottingham (UK)
Período de Actividade: 2004-
Influências: Swervedriver, Ride, Pale Saints
A ouvir: Out Of The Angeles (V2, 2006)
MySpace

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

GOOD COVER VERSIONS #3

RIDE
"How Does It Feel To Feel?"
(Creation, 1994)
[Original: The Creation (1967)]

Algures entre o psicadelismo dos Beatles e o mod dos Kinks, a carreira dos THE CREATION durou apenas dois anos, entre 1966 e 1968. Não terá sido o tempo suficiente para granjear grande fama, mas terá sido o bastante para constituir uma sólida legião de fiéis. De todos, o mais conhecido será um escocês que dá pelo nome de Alan McGee que, em 1983, não só dava o nome da sua banda preferida à editora por si criada, como baptizava a banda que liderava com o nome de uma das suas canções (Biff Bang Pow!).
Quis o destino que uma certa banda do catálogo da Creation Records, talvez por influência do "mestre", viesse a revisitar este hino do chamado período da british invasion.
Em 1994, os RIDE procuravam fugir ao estigma do shoegazing, género então em perda de visibilidade. Esse desejo de mudança seria materializado no rock musculado do álbum Carnival Of Light, na altura não muito bem visto, tanto aos olhos da crítica como do público.
Por entre momentos menos inspirados, Carnival Of Light tem ainda diversos pontos de interesse. Como é o caso desta versão que, mesmo sendo claramente inferior ao original, é a homenagem sincera merecida a um dos grandes tesouros perdidos da pop britânica.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

NA TERRA DA ABUNDÂNCIA

A data de 10 de Março fica marcada pela edição Superabundance, o regresso aos discos do trio THE YOUNG KNIVES, dois anos após a auspiciosa estreia em formato grande com Voices Of Animals And Men.
Por aquilo que já é conhecido (os singles "Terra Firma" e "Up All Night"), Superabundance promete a manutenção da fórmula ganhadora: canções curtas, guitarras nervosas e sarcasmo tipicamente britânico.

The Young Knives no MySpace

DUETOS #1

Kristin Hersh & Michael Stipe "Your Ghost" (4AD, 1994)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

AO VIVO #12

Spoon @ Aula Magna, 23/02/2008

Há algum tempo atrás, poder ver os Spoon em concerto por duas vezes no espaço de meio ano seria algo de inimaginável. Mais improvável seria ainda a possibilidade de, em duas noites consecutivas, poder partilhar não só os mesmos espaços de diversão nocturna, como também algumas impressões com Britt Daniel e o gentleman Jim Eno, os dois estrategas da banda texana vai para 15 anos.
Comparativamente ao concerto de Agosto passado em Paredes de Coura, já de si excelente, a prestação de sábado à noite triunfa a toda a linha: um concerto mais longo, dirigido a um público apreciador, e mais representativo do percurso muito peculiar desta banda.
Sem perder tempo com conversas de circunstância, os quatro músicos em palco despejam quase duas dezenas de temas que não deixam ninguém indiferente, desde o público mais conhecedor até alguns recém-convertidos. Após a destruição das cordas de uma guitarra no culminar de belíssimo "Black Like Me", não poderia faltar o regresso ao palco para o encore da consagração.
Perante o groove de uma pianada como já não se usa, e os espasmos guitarrísticos de Britt Daniel, o mais difícil era mesmo permanecer colado à cadeira.
Ou muito me engano, ou aquela ovação final poderá ser o prenúncio de uma daquelas paixões em que o povo lusitano é pródigo.

Antes dos Spoon, passaram pelo palco os Mazgani, banda que leva o nome do seu mentor, um iraniano radicado em Portugal há mais de duas décadas. Com uma música de um dramatismo exacerbado, tanto recuperam glórias do passado (Echo & The Bunnymen, The House of Love), como encontram paralelos no presente (DeVotchKa). Sem serem particularmente originais, o que mais impressiona nos Mazgani é uma competência para por as ideias em prática pouco usual por cá. O público, em claro sinal de reconhecimento, aplaude.


domingo, 24 de fevereiro de 2008

A IDADE DOS PORQUÊS

Yoni Wolf foi em tempos membro dos cLOUDDEAD, esse colectivo cuja carreira teve tanto de genial como de fugaz.
Enquanto membro do mítico combo californiano, respondia pelo pseudónimo de WHY?, epíteto igualmente adoptado para a banda que lidera desde então.
Dois anos após o mui aclamado Elephant Eyelash, os WHY? regressam a 10 de Março com o seu terceiro longa-duração. A coisa dá pelo nome de Alopecia e tem, como sempre, selo de garantia Anticon.
Esta música foi já definida por alguém como o hipotético cruzamento entre os Pavement e o hip hop mais experimental. Não sendo totalmente descabida, esta ou qualquer outra definição pecará sempre por defeito. Dificuldades de catalogação à parte, o que eu posso garantir é que isto é bom... muito bom!
Façam o favor de conferir aqui, onde, além do álbum na íntegra, podem também escutar uma versão imperdível de "Close To Me" (The Cure).

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

For all the fucked up children of the world #3

I'd take you where nobody knows you
And nobody gives a damn
I said nobody knows you
and nobody gives a damn
I said nobody knows you
and nobody gives a damn either way
About your blood
your bones
your voice
and ghost
because nobody knows you
and nobody gives a damn either way

Wolf Parade "I'll Believe In Anything" (Sub Pop, 2005)

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

AO VIVO #11

The Raveonettes @ Santiago Alquimista, 20/02/2008

Ecos vindos de terras nortenhas já me tinham alertado para a indisponibilidade vocal de Sune Rose Wagner, o rapaz que envergava uma t-shirt dos Atari Teenage Riot (?) e que é também o compositor dos RAVEONETTES. Ao fim de uma hora e pouco de espectáculo, em que Sharin Foo assumiu em exclusivo (e em grande estilo) as vocalizações, já poucos dos presentes no Alquimista lamentariam esse facto.
Dando óbvio destaque ao recente Lust Lust Lust, a dupla (ao vivo expandida a trio) dinamarquesa apresentou aquilo que se pode designar como um alinhamento de antologia. Do último disco apresentaram todos os seus melhores temas: "Dead Sound", "The Beat Dies" e "You Want The Candy". Dos anteriores registos não faltaram os quase-clássicos "Attack Of The Ghost Riders", "The Great Love Sound" e "Love In A Trashcan", com este último a gerar alguma agitação na assistência. Já a caminhar para o seu final, o concerto teve um dos grandes momentos, com uma versão do excelente "French Disko", dos estimáveis Stereolab. Para o mini-encore estava reservado "Twilight", o melhor tema do fraquinho Pretty In Black.
Em palco, o aparato cénico é reduzido ao essencial: duas guitarras e percussão mínima, Sune compenetrado, Sharin comunicativa q.b.. O arsenal de pedais e alguns apontamentos sintéticos fazem o resto.
Podia ainda dizer que os Raveonettes tresandam a Jesus & Mary Chain da fase Psychocandy, mas isso já não constitui novidade para ninguém. Mas também podia acrescentar que por aqui não moram a atitude punky e a postura down que caracterizaram a mítica banda escocesa. Com estes dinamarqueses a boa-disposição é palavra de ordem. E com esta atitude também se podem proporcionar óptimos concertos.

GOING BLANK AGAIN #5

THE PAINS OF BEING PURE AT HEART*

Origem: Nova Iorque (US)
Período de Actividade: 2007-
Influências: My Bloody Velentine (dos primórdios), Teenage Fanclub, The Pastels
A ouvir: The Pains Of Being Pure At Heart EP (Painbow, 2007)
MySpace

* Com o alto patrocínio do Capitão Edu. Thanx, mate!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

RAVE ON

Daqui a nada, no Santiago Alquimista...
Esta não irá faltar, concerteza.

The Raveonettes " Dead Sound" (Fierce Panda, 2007)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

AO VIVO #10

Lydia Lunch + Flanela de Tal, 15/02/2008 @ ZdB

Com uma carreira que já ultrapassou as três décadas, e hoje fora dos radares mediáticos, LYDIA LUNCH tem ainda o raro dom de confrontar o seu público.
Foi precisamente isso que aconteceu no passado sábado. Com um espectáculo baseado no último trabalho em disco - Ghosts Of Spain - a artista nova-iorquina agora radicada em Barcelona apresenta uma cruel dissertação sobre a luta incessante pelas liberdades pessoais. Tendo como ponto de partida as memórias da Guerra Civil Espanhola, Lunch incita à libertação, seja das forças opressoras externas, seja dos demónios interiores de cada um de nós. A ponte para a actualidade fá-la por via das referências a algumas questões mais melindrosas do mundo actual: Guantamano, Kabul, Darfur, Baghdad, Palestina...
Em palco, apenas a performer e dois microfones. Ora em tom narrativo, ora em diálogo, como se de um livro se tratasse, a força das palavras ditas é exponenciada pelas imagens projectadas numa tela. A acompanhar o registo spoken word, um discreto suporte musical - gravado - que vagueia entre o vaudeville e um proto-jazz para caves bafientas.
No último tema, sobre os violadores "oportunistas" em cenário de guerra, o chorrilho de palavrões fez soltar algumas gargalhadas, inclusive entre o público feminino.
Incisivo, desafiante, perturbador... mas não para todos, está visto.

Antes da lenda viva, passaram pelo palco da ZdB uns tais de Flanela de Tal. A quem não viu, posso afiançar que são piores do que o nome possa fazer supor. À falta de melhor, digamos que conseguiram provar que não é Daniel Johnston ou Butthole Surfers quem quer. Ah pois, que o grotesco também tem a sua arte!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

COMO ELES ERAM...

Em 1992 estes rapazes de Wigan respondiam ainda pelo singelo nome de VERVE (o artigo The seria acrescentado mais tarde, por imposição da editora com o mesmo nome). Seguindo uma meticulosa dieta de substâncias ilícitas, vagueavam entre o psicadelismo dos Spacemen 3 e o som espectral de uns Ride.
Depois viriam, por esta ordem, as canções épicas, as tensões internas, a dissolução, o reagrupamento, mais canções épicas, a consagração planetária, mais tensões, e a segunda morte.
Como não há duas sem três, após o semi-falhanço de Richard Ashcroft a solo, os The Verve renasceram em finais do ano passado para uma terceira vida. Para a Primavera prometem novo álbum - o quarto. Prometem também revisitar as várias facetas da carreira. Com algumas reticências, dou-lhes o benefício da dúvida

Verve "Man Called Sun" (Hut, 1992)

domingo, 17 de fevereiro de 2008

SEGUNDAS NÚPCIAS

O próximo mês de Maio fica marcado pelo regresso de uma das bandas fétiche deste tasco, três anos após o saudado renascimento com Take Fountain.
Os THE WEDDING PRESENT (TWP) terminaram já as gravações de El Rey, registado por Steve Albini nos seus Electrical Audio Studios, em Chicago. Segundo palavras de David Gedge, o incontornável líder e único membro da formação original da banda de Leeds, este disco será mais guitar oriented e negro que o seu antecessor.
Lembro que esta é segunda ocasião que os TWP se cruzam com o Midas Albini, depois do histórico Seamonsters (1991).
Faixas conhecidas ainda não há mas, títulos como "Don't Take Me Home Until I'm Drunk" ou "The Thing I Like Best About Him Is His Girlfriend" são o garante de que a lírica de Gedge continua a percorrer territórios conhecidos.

The Wedding Present no MySpace

INDEPENDÊNCIA?










Ou a amputação - ilegal - de um estado para incremento do território de um outro?
Com o alto patrocínio da administração Bush e a permissividade da União Europeia.
É em dias como o de hoje que sinto vergonha de ser Europeu...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

LUNCH TIME

Sonic Youth (w/ Lydia Lunch) "Death Valley '69" (Blast First, 1985)

Por volta da meia-noite, na ZdB...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

GOING BLANK AGAIN #4

THE HIGH VIOLETS

Origem: Portland, Oregon (US)
Período de actividade: 1999-
Influências: Lush, Slowdive, Mojave 3, Cocteau Twins
A ouvir: To Where You Are (Reverb, 2006)
MySpace

NOVIDADES DA SARJETA

We are all in the gutter, but some of us are looking at the stars.
—Oscar Wilde

Os percursos de Mark Lanegan e Greg Dulli já se tinham cruzado por mais do que uma vez, a última das quais no EP A Stitch In Time dos Twilight Singers, projecto do segundo após a morte dos superlativos The Afghan Whigs. Nessa ocasião ficou a sensação de que as afinidades entre estas personagens tão singulares poderia render algo mais. E assim nasceu o projecto THE GUTTER TWINS.
O primeiro resultado da união de esforços destes dois seres do lado errado da noite chega já no próximo dia 3 de Março, naquele que poderá ser um dos acontecimentos do ano: a edição do álbum Saturnalia com selo da Sub Pop.
E já agora, a cereja no topo do bolo (apontem na agenda s.f.f.): os Gutter Twins aterram em Lisboa, no Santiago Alquimista, a 30 de Abril próximo. Ainda por cima, véspera de feriado! Yes!!!

The Gutter Twins no MySpace

EVERYDAY IS VALENTINE'S DAY

My Bloody Valentine "Cigarette In Your Bed" (Creation, 1988)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

EM ESCUTA #24

















BRITISH SEA POWER
Do You Like Rock Music?

(Rough Trade, 2008)

Só agora, um mês após a sua edição, me sinto capaz de formular uma opinião sobre o novo disco dos BRITISH SEA POWER (BSP). Sendo eu um entusiasta deste quarteto de Brighton desde a primeira hora, necessitei de inúmeras audições para concluir que uma parelha de temas ("All In It" e "Waving Flags") de grandiosidade previsível, na linha de uns Arcade Fire, é um equívoco perfeitamente dispensável. Neste particular, "No Lucifer" é mais contido e, por isso, passa o teste por uma unha negra.
Nos restantes temas, os BSP oferecem-nos o tal rock a que alude o título e que o EP Krankenhaus já prometia. Mercê de uma produção mais refinada do que no passado, os melhores momentos de Do You Like Rock Music? ("Atom", "Down On The Ground", "Lights Out For Darker Skies") soam mais incisivos e imediatos que nunca.
As letras, semi-politizadas, semi-impenetráveis, mantêm intacta aquela aura de misticismo que é já uma imagem de marca e que, segundo rezam as crónicas, é uma mais-valia em palco.
Sendo certo que Do You Like...? é já um êxito comercial sem precedentes na carreira dos BSP, também não deixa de ser verdade que está longe de ser o seu melhor. Ainda assim, um disco muito acima da média que recomendo sem hesitações.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

INDIE TOP 50

No seu número mais recente, em que os Smiths têm honras de capa, a revista Mojo publica uma lista com os 50 discos mais marcantes da cena independente do Reino Unido. Sem se limitar a um formato específico, e dando a primazia a primeiras obras, as cinquenta escolhas da publicação britânica são, como sempre, discutíveis. Por estes lados, foram notadas com alguma surpresa, não só as ausências de Prefab Sprout, A.R. Kane e Talulah Gosh, como as posições modestas ocupadas por Aztec Camera e The Wedding Present. Ainda assim, a lista poderá ser um óptimo guia de pesquisa para iniciados.
Sem querer ser demasiado exaustivo, deixo-vos uma listagem dos vinte primeiros:

1. The Smiths This Charming Man (1983)
2. The Jesus And Mary Chain Psychocandy (1985)
3. Orange Juice You Can't Hide Your Love Forever (1982)
4. The Fall How I Wrote 'Elastic Man' (1980)
5. My Bloody Valentine You Made Me Realise (1988)
6. Joy Division Transmission (1979)
7. Arctic Monkeys I Bet You Look Good On The Dancefloor (2005)
8. The La's There She Goes (1990)
9. The Stone Roses The Stone Roses (1989)
10. Primal Scream Crystal Crescent/Velocity Girl (1986)
11. Felt Forever Breathes The Lonely Word (1986)
12. Subway Sect Ambition (1978)
13. The House Of Love Destroy The Heart (1988)
14. Belle & Sebastian Tigermilk (1996)
15. Echo & The Bunnymen Crocodiles (1980)
16. Wire Outdoor Miner (1979)
17. Teenage Fanclub Everything Flows (1990)
18. Lloyd Cole & The Commotions Rattlesnakes (1984)
19. This Mortal Coil Song To The Siren (1983)
20. Spacemen 3 Revolution (1988)

Para além de uma contextualização sucinta de cada disco, a Mojo oferece ainda aos seus leitores um excelente CD-compilação que capta eficazmente o espírito da coisa. Entre os 15 temas apresentados, podemos encontrar pequenos tesouros como "The Revolutionary Spirit" (The Wild Swans), "Up The Hill And Down The Slope" (The Loft), ou "Penelope Tree" (Felt). Ou ainda este, da banda que serviu de tubo de ensaio aos Stereolab:

McCarthy "Keep An Open Mind, Or Else" (Midnight Music, 1989)