"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel

terça-feira, 30 de outubro de 2007

MOSAICO FLUÍDO

Nos tempos que correm é mais ou menos recorrente a reciclagem de sons do passado, sobretudo reconhecíveis por aqueles que designaria por "novos yuppies". Se na maioria dos casos a coisa não é mais do que o mero mimetismo de coisas já de si pouco recomendáveis, existem excepções em que, para além do valor da música criada, permitem dar a conhecer às novas gerações de consumidores de música glórias passadas a que o tempo não fez justiça.
Vem tudo isto a propósito do trio australiano LOVE OF DIAGRAMS e de Mosaic, o álbum de estreia disponibilizado para o mercado internacional pela Matador Records.
Disco de contornos arty, Mosaic não se envergonha de exibir um cozinhado de referências mais ou menos evidentes, sejam elas algumas das bandas charneira do post-punk britânico (Siouxsie dos primórdios, PiL, Au Pairs), sejam elas nomes do underground das décadas seguintes, como o míticos Hüsker Dü, ou os esquecidos Bailter Space (banda igualmente proveniente dos antipodas, nomeadamente da Nova Zelândia). O cunho pessoal está na forma como estas referências díspares são conjugadas de forma coerente.
Como vêm, estamos perante um cozinhado muito bem condimentado...
Love of Diagrams no MySpace

AO VIVO # 7

The Sea and Cake + Litius, ZdB 27/10/2007


Era muita a expectativa acumulada por estes lados para puder ver (finalmente) ao vivo este quarteto onde figuram algumas das luminárias incontornáveis da chamada cena de Chicago. Como previsto, as dezenas de pessoas que sábado passado lotavam o pequeno aquário da ZdB comungavam igualmente dessa expectativa, e isso sentia-se no ar.
Com um alinhamento assente no recente Everybody, mas com algumas incursões pelo passado (sobretudo pelo excelente One Bedroom de 2003), os THE SEA AND CAKE fizeram questão de retribuir ao público com uma prestação perto do irrepreensível.
Durante quase hora e meia, e após um começo mais morno, vai-se notando um crescendo de empatia entre público e banda. Estando longe de ser uma banda de hits, os The Sea and Cake teimam em procurar a confecção da canção pop perfeita. Contudo, em concerto adensa-se o pendor rock na maioria dos temas, não dispensando as habituais pinceladas jazz e bossa nova. A voz seguríssima de Sam Prekop, muitas vezes em suaves harmonias com Archer Prewitt, confere a dose certa de melancolia, enquanto o virtuosismo se espalha pela sala sem que, em momento algum, resvale para o exibicionismo.

Devido a um súbito ataque de pontualidade por parte do pessoal da ZdB perdi os primeiros instantes do concerto dos espanhóis LITIUS. E a julgar pelo resto, terei perdido algo de muito bom!
Praticantes de um post-rock instrumental de inflexões jazzísticas na linha de uns Tortoise de boa colheita, mas sem os abastraccionismos destes, os Litius não têm qualquer prurido em reavivar memórias de algumas eminências noise/post-hardcore/math rock: Slint, Sonic Youth, Shellac, Fugazi. Quem o confirma são os próprios na página do MySpace.
Com enorme destreza no manuseamento dos instrumentos, e com uma grande presença em palco, este quarteto é a prova de que de Espanha, afinal, vêm bons ventos...

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

INDEPENDANÇAS

Boas notícias para todos aqueles que, como eu, consideram os quatro primeiros álbuns dos GNR o mais valioso acervo pop made in Portugal: Independança , o primeiro desses álbuns e único da banda em que Rui Reininho co-habita com Vítor Rua, conhece a sua primeira edição em CD no próximo dia 19 de Novembro.
Obra fundamental do período pós-punk portuga, Independança traça aquilo que viria a ser a imagem de marca dos GNR nos próximos registos: vanguarda e sofisticação conjugadas com um inusitado apelo pop.
Para além dos sete temas da edição original de 1982, entre eles o mítico "Avarias", esta reedição com som remasterizado oferece ainda, como faixas bónus, os dois primeiros singles da banda (Portugal na CEE e Sê um GNR) e respectivos lados B, ainda com Alexandre Soares nas vozes, e o EP Twistarte de 1984.
De seguida, para o quadro ficar completo, espera-se que Defeitos Especiais tenha em breve o mesmo tratamento...

domingo, 28 de outubro de 2007

AS ESCOLHAS DE NATALIE

Desde a célebre cena em que o mais belo pedaço de música pop do século XXI emana daqueles headphones que tenho uma paixão assolapada por miss Portman. Mesmo com toda a minha devoção cega, a todo o momento lhe descubro novas virtudes. Se não acreditam, confiram aqui. Boas escolhas ao serviço de uma causa nobre. Que mais se lhe pode pedir?
Scarlett, rói-te de inveja!

NO FUTURE

Trinta anos depois...

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

OUR LIFE IS NOT A MOVIE OR MAYBE

OKKERVIL RIVER
The Stage Names (Jagjaguwar, 2007)

Serve o presente apenas para lembrar os mais distraídos que o novo álbum dos OKKERVIL RIVER já está disponível na Europa vai para um mês. Para além da canção de abertura que dá o título a este post, The Stage Names tem outras oito quase tão boas.
Lembro também que a audição integral continua disponível no mesmo sítio. Portanto, é ouvir minha gente. Se não o fizerem estarão a perder um dos mais belos discos do ano. O que, vindo de onde vem, não é nada de suspreendente.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

EM ALTA ROTAÇÃO

THE SEA AND CAKE
Everybody (Thrill Jockey, 2007)

Trinta e seis minutos (a duração ideal para um álbum, como alguém disse) de sofisticação pop. O mote é visita desta galeria de ilustres dirigida por Sam Prekop à ZdB no próximo sábado. Imperdível!

MUSAS INDIE #11

Em dose tripla... só porque cada vez gosto mais destas gajas e porque elas são indissociáveis:

SLEATER-KINNEY

terça-feira, 23 de outubro de 2007

EM ESCUTA #20

THE FIERY FURNACES
Widow City (Thrill Jockey, 2007)

Nos seus dois primeiros (e promissores) registos dava já para perceber que os FIERY FURNACES não eram uma banda convencional, muito menos para os cânones do novo rock que então vigorava. Pop na essência, a música dos manos Friedberger tinha o kraut a correr nas veias, o que proporcionava alguma estranheza aos ouvidos mais conservadores.
No entanto, quando se esperava a confirmação das promessas, os dois passos seguintes foram autênticos tiros ao lado e fizeram com que os mais crentes deixassem de acreditar que dali ainda pudesse surgir a obra definitiva. É notória nesta fase a incapacidade da banda em extrair alguma coerência da salganhada de estilos que povoam as suas canções.
É pois com alguma surpresa que recebemos Widow City, primeiro registo na Thrill Jockey após o desquite com a Rough Trade que, ao que parece, perdeu a paciência para as bizzarias destes dois.
Apesar de cada um destes dezasseis temas conter novamente as arritmias típicas do som Furnaces, o duo de irmãos surge agora mais focalizado nos seus intentos, conseguindo conjugar harmoniosamente sons provenientes das mais diversas latitudes pop. Não obstante o equilíbrio que percorre todo o disco, nesta hora de música encontramos ainda alguns momentos de alguma dispersão, nomedamente os temas de abertura e de encerramento. Nota-se também uma maior aproximação aos terrenos do rock, muito por força das doses generosas de guitarras setentistas que adornam a maior parte dos temas.
Caso dúvidas houvesse, Widow City reforça uma ideia que já vinha dos primórdios dos Fiery Furnaces: Eleanor é uma cantora de excepção.
Numa altura em que os Stereolab denotam já sinais de alguma perda de fulgor, parece pois que em breve o ceptro da vanguarda pop mudará de mãos.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

DISNEYLÂNDIA DOS PEQUENINOS

MICRODISNEY
Daunt Square To Elsewhere: Anthology 1982-88 (Castle, 2007)

Com selo de uma editora do grupo Sanctuary (quem mais?!), esta compilação de 29 temas é a introdução ideal à música dos MICRODISNEY, uma banda irlandesa que há duas décadas, no campo da pop inteligente e emocional, dividiu os louvores da crítica com os Smiths.
Após a dissolução, a voz grave de Cathal Coughlan seguiu o seu caminho, primeiro nos igualmente recomendáveis Fatima Mansions, depois a solo, enquanto que o guitarrista Sean O'Hagan é o cientista pop que há 15 anos dirige os desígnios dos High Llamas.
Cathal Coughlan no My Space
The High Llamas no MySpace

CÂMARA POUCO CLARA

Aproveitando a aproximação da data do 30.º aniversário de Never Mind The Bollocks, Here's The Sex Pistols, a edição de ontem do programa Câmara Clara da RTP2 teve por tema "Os Rebeldes". Perante o baixo nível da programação televisiva actual (mesmo na Dois) a ideia parece atractiva. Mas, como só as boas ideias não bastam, a execução roçou o desatre.
Tendo como convidados o Senhor Comendador Zé Pedro e o insuportável Pedro Ayres Magalhães, Paula Moura Pinheiro dirigiu um programa onde se ouviram as mesmas histórias ocas de sempre e onde a sucessão de gaffes demonstra, uma vez mais, a ligeireza com que a música pop é tratada pelas gentes da dita "alta cultura":
- logo na introdução do programa, para ilustrar o "passado punk" dos convidados, foi apresentado um excerto de "Contentores", um tema de... 1987;
- numa das pequenas peças apresentadas, fez-se referência às New York Dolls, uma banda andrógina de NY;
- mais à frente, Johnny Thunders passou a ser vocalista e guitarrista das mesmas Dolls;
- ao fazer referência à edição de Comicopera, o novo àlbum de Robert Wyatt, a apresentadora lembrou, sem qualquer hesitação, que o músico se encontra numa cadeira de rodas "devido a um acidente de viação sofrido nos anos 70" (Wyatt ficou paraplégico na sequência de uma queda, em estado de embriaguez, da janela de um 3.º andar).
Não vi o programa até ao seu término, mas não me admirava nada se Sid Vicious passasse a ser vocalista dos Pistols, como já vi num jogo de Trivial Pursuit....

domingo, 21 de outubro de 2007

10 ANOS É MUITO TEMPO #2

MOGWAI
Young Team (Chemikal Underground, 1997)

Depois de um punhado de singles (reunidos na recomendável compilação Ten Rapid) altamente promissores e que despertaram o entusiamo do incontornável John Peel, era grande a expectativa para o primeiro longa-duração dos escoceses MOGWAI.
Empacotados no vastíssimo conceito do post-rock, os Mogwai eram, por oposição ao academismo dos seus congéneres do outro lado do Atlântico, um grupo de jovens ainda contaminado pelo vertigem do rock e assente numa ética punk enquanto banda, mas que não enjeitava as hipóteses da experimentação.
Partindo de uma engenhosa exploração da alternância de momentos de quase silêncio com crescendos que culminam no delírio sónico, Young Team é, não obstante os dez temas que o compõem, uma obra una de forte pendor contemplativo, numa definição perfeita do conceito de álbum. Ao longo de pouco mais de uma hora, sem recurso às palavras (excepção feita ao lamento "R U Still In 2 It" interpretado por Aidan Moffat dos Arab Strap), e munidos apenas da santíssima trindade guitarra-baixo-bateria, os Mogwai criam um disco de ambiência gélida, directamente apontado à cabeça. "Mogwai Fear Satan", o longo épico de encerramento, é o clímax, o momento em que se expurgam todos os demónios.
Apesar da carreira consistente que desenvolveram até aos dias de hoje, e da fama que as suas prestações ao vivo gozam, nunca mais os Mogwai conseguiram superar este momento de inspiração, o que, diga-se, não se afigura como tarefa fácil para ninguém.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

COISAS DO PUTO...














.... hoje, a não perder, no Incógnito.

BATALHA GANHA

Quando aqui há uns meses fiz a primeira referência ao primeiro álbum dos BATTLES andava completamente viciado nesse disco. Depois de um longo jejum (muita música nova para ouvir, sabem como é), retomei recentemente a audição de Mirrored em doses massivas. E, se querem que lhes diga, não restam dúvidas...estamos definitivamente perante um disco do caraças!

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

20 ANOS


THE WEDDING PRESENT
George Best (Reception, 1987)

The boy Gedge has written some of the best love songs of the Rock ‘n’ Roll Era. You may dispute this, but I’m right and you’re wrong!” JOHN PEEL

Cumprem-se neste mês de Outubro vinte anos desde o lançamento de George Best, primeiro longa-duração dos WEDDING PRESENT.
Depois de os Smiths terem entregue a alma ao criador, tudo fazia prever que a banda de Leeds tinha o caminho livre para se tornar em breve uma das maiores bandas do Reino Unido. As coisas, no entanto, não correriam como o previsto mas, George Best continua a ser um marco incontornável da história do indie pop. Nele encontramos dois dos primeiros hinos corroídos pelo ciúme saídos da pena de David Gedge: "My Favourite Dress" e "Give My Love To Kevin".

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

FLOATING IN SPACE

Por esta altura, já se tornou corriqueiro anunciar boas novas vindas do Canadá. Provenientes de Montreal, com um debute homónimo com selo da Arts & Crafts e produzido por Jace Lasek (The Besnard Lakes), os YOUNG GALAXY são a mais recente descoberta deste escriba no que concerne a bandas daquelas paragens.
Para além de algumas semelhanças estéticas com o projecto do produtor, têm também em comum o facto de serem um casal (Stephen Ramsay, que já passou pelos Stars, e Catherine McCandless) à volta do qual gravitam diversos músicos da cena local. Murray Lightburn, a VOZ dos The Dears é um dos convidados de honra.
Não sendo a coisa mais original que ouvi nos últimos tempos, Young Galaxy é um disco muito bonito. Imagem o resultado de um encontro entre os Spiritualized e os Slowdive, algures na imensidão do espaço sideral, e ficam com uma ideia.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

DISCOS PE(R)DIDOS #15

TEENAGE FANCLUB
Bandwagonesque (Creation, 1991)

Quando editaram o seu primeiro álbum (A Catholic Education) em 1990, os escoceses TEENAGE FANCLUB agradaram de tal forma a Alan McGee que, este teve de arranjar uma forma de os levar para a sua Creation. Para isso foi necessário engendrar uma artimanha que os libertasse do acordo já estabelecido com a Matador Records (e através desta com a multinacional Geffen). Assim, deram aos executivos americanos o semi-álbum The King, quando a obra-prima Bandwagonesque estava já gravada e destinada a ser a primeira de várias edições pela Creation.
Num período em que um certo rock sónico começava a colher dividendos do outro lado do Atlântico, os Fannies fazem aqui a revisão de Daydream Nation à luz dos alquimistas pop que sempre os nortearam: The Beatles, The Byrds e Big Star. Não espanta pois que, as tarefas da produção tenham sido entregues a Don Fleming, que ainda recentemente tinha exercido iguais funções em Goo dos Sonic Youth.
Apesar da coesão e homogeneidade patenteadas ao longo de todo o disco, a roçar a perfeição, os créditos da composição (e as vozes) são divididos pelo triunvirato Norman Blake-Raymond McGinley-Gerard Love, com alguma predominância do primeiro. Do todo sobressaem os temas que foram escolhidos para single:
- "The Concept", hino romântico e nostálgico ao binómio concertos/miúdas a abrir o disco, como uma espécie de "Teen Age Riot" delicodoce que se prolonga por seis prazenteiros minutos;
- "What You Do To Me", dois minutos bastam para fazer uma belíssima power-pop-love-song cuja letra é o expoente máximo da simplicidade ("What you do to me.../I know, I can't believe/There's something about you/Got me down on my knees");
- "Star Sign", pérola power-pop por execelência que não fica imune às infecções shoegazing.
Criando um som próprio a partir da combinação das diversas influências, os Teenage Fanclub, como amantes de boa música que são, têm uma demonstração de humildade e agradecimento ao incluir no inlay de Bandwagonesque as palavras iniciais do magistral Third dos Big Star: "Thank you friends, wouldn't be here if it wasn't for you".
Um dos maiores tesouros do melhor ano de produção musical das duas últimas décadas está aqui.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

DESCUBRA AS DIFERENÇAS

Duas eras;
Duas bandas;
Dois discos;
Dois momentos de mudança;
Dois discos indispensáveis!

THE KINKS
The Kink Kontroversy (Reprise, 1965)


SLEATER-KINNEY
Dig Me Out (Kill Rock Stars, 1997)

domingo, 14 de outubro de 2007

COISAS QUE DEVERIAM PERMANECER SECRETAS

Há uns meses, numa das cada vez mais raras idas ao cinema, escolhi para ver Les Anges Exterminateurs, última obra do realizador francês Jean-Claude Brisseau que, segundo a imprensa especializada do burgo é uma espécie de estudioso da sexualidade feminina.
Aquilo a que pude assistir foi uma pornochachada em tons chic que deixava no ar a ideia de que há duas fomas de as mulheres obterem prazer: a sós ou... com outro indivíduo do Belo Sexo!
Mas qual não é o meu espanto quando descubro que há mais de onde este veio!
Ontem mesmo, a RTP 2 transmitiu Choses Secrètes, a película anterior do realizador. Mais um chorrilho de cenas hetero e homo-eróticas e clichés gastos, tudo entremeado por tiradas filosóficas patéticas.
Tenho para mim que o rapaz só escolheu ser realizador para poder alimentar a fantasia de ver gajas boas a comerem-se. E, honra lhe seja feita, o bom do Brisseau sabe escolhê-las...

THE FRIENDLY GHOST

CORNELIUS
Fantasma (Matador, 1998)

Para além de ser o nome de um personagem do filme Planet Of The Apes, CORNELIUS é também o pseudónimo adoptado pelo japonês Keigo Oyamada enquanto artista a solo.
Proveniente da mesma cena que outros nomes do cenário pop nipónico conhecidos no ocidente(Pizzicato Five, Cibo Matto), em 1998 Cornelius era já um esteta sonoro que gozava de grande popularidade no país do Sol Nascente.
Desde o momento em que a Matador Records decidiu editar Fantasma (a edição original japonesa é de 1997), o mundo pôde finalmente saber das belas experiências que tinham lugar no laboratório do Prof. Oyamada: por entre as guitarras em camadas e os apontamentos electrónicos, aqui e ali salpicados pelas nobres artes do sampling e do scratching, vislumbramos os Beatles e os Beach Boys ao barulho com os My Bloody Valentine e os Mary Chain. O resultado é um dos mais intrigantes OVNIs musicais da década anterior que, apesar de todo o exotismo e experimentalismo latentes, não deixa de ser altamente acessível.
A título de curiosidade, refira-se que no belíssimo booklet que acompanha o CD de Fantasma, para além de várias fotos do artista como "Brian Wilson Impersonator", encontramos a transcrição das letras em inglês, japonês e... português!