BEN FROST
By The Throat
[Bedroom Community, 2009]
O primeiro calafrio advém do título, apresentado como se duma produção de accção hollywoodesca se tratasse. Depois a capa, capaz de nos fazer sentir acossados ao primeiro vislumbre. Para compor o quadro sinistro, arriscaria também uma menção ao nome do autor de By The Throat, não fosse Ben Frost o verdadeiro nome de baptismo deste músico, compositor, e produtor australiano que encontrou na infertilidade gelada da Islândia, onde actualmente reside, o berço perfeito para esta música que nos revolve as entranhas, pela sua fealdade, mas ao mesmo tempo nos enfeitiça pelo mistério que carrega.
Para evitar (im)possíveis equívocos, Frost abre o disco com "Killshot", um tema no qual a discrição da electrónica minimalista é assaltada por torrentes de guitarra processada e um drone de baixo ensurdecedor, evidenciando linguagens próximas do black metal. Contudo, Frost é compositor de múltiplas sensibilidades e, ao longo destes onze temas de durações muito variáveis, socorre-se também de field recordings ou de cordas dissonantes a acentuar o caos, propiciando uma mescla grosseiramente rotulável como musique concrète. Tome-se como exemplo "The Carpathians", onde um contínuo em crescendo, já de si suficientemente aterrador, é acompanhado pelo rosnar ameaçador de uma alcateia., remetendo para o realismo atroz da imagem da capa e, consequentemente, gelando o sangue. "Leo Needs A New Pair Of Shoes" é raro momento de harmonia no clima de paranóia instalado, com a cadência de um piano a combinar com a raios de luz de um banjo. Porém, a paz é breve, já que, progressivamente, as mesmas feras vão-se mostrando, desta vez uivando ao longe e frustrando uma réstia de esperança. Tal como em The Road - o livro e o filme - o distúrbio opressivo de By The Throat é contrariado por um profundo sentido de humanismo, ainda que a voz humana esteja apenas presente nas duas partes do tema "Peter Venkman". Surge por via das interjeições ocasionais de um coro feminino, a pairar, quase fantasmagórico, como se de um coro de anjos se tratasse.
Convido-vos então a entrar, com as devidas cautelas, neste mundo obscurecido de By The Throat. Este mundo de sombras e temores sintetizado pela revista Vice nos seguintes termos: "The compositional complexity of Arvo Pärt and the sonic nothingness of Wolf Eyes...Yes, it is that good.". Eu assino por baixo!

Atendendo ao aperitivo que me deixaste no fb, eu diria que vou abrir os cordões à bolsa sem mais concessões...
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