"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Good cover versions #24















RED HOUSE PAINTERS "I Am A Rock" [4AD, 1993]
(Original: Simon & Garfunkel (1966)]

Apesar de gozarem de um culto desmedido no nosso país, os Red House Painters (RHP) nunca geraram paixões exacerbadas neste que vos escreve. No espectro do chamado slowcore, encontrei motivos de interesse noutras coordenadas. Da relativamente extensa obra que deixaram gravada, a minha predilecção recai sobre uma versão. Aliás, como saberão os mais atentos, as versões têm sido uma constante nos vários projectos com presença do líder Mark Kozelek. A interpretação de "I Am A Rock" pelos RHP é de facto uma canção tocante, daquelas que não deixam ninguém indiferente, com a voz de Kozelek a projectar-se para níveis estratosféricos. Por sinal, bem superior ao original (ou melhor, à versão definitiva, já que este tema foi alvo de uma gravação prévia assinada apenas por Paul Simon), uma singela e compostinha cançoneta electro-acústica naquela toada "seminarista" que é a marca d'água do trabalho conjunto de Paul Simon e Art Garfunkel.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Discos pe(r)didos #29


















WHIPPING BOY
Heartworm
[Columbia, 1995]

Por vezes há discos já quase esquecidos que se nos grudam aos tímpanos e teimam em não nos largar durante dias a fio. Heartworm, segundo álbum dos irlandeses Whipping Boy, e primeiro e único por uma multinacional, é o mais recente desses casos na vida deste que vos escreve. Confesso que, antes de lhe voltar a pegar, já me tinha esquecido da força que emana deste disco, um possível elo perdido entre os Joy Division e os Twilight Sad, só para terem uma ideia.
Heartworm são onze canções escorreitas, sem pontos fracos, daquelas em que as seis cordas sublinham a tensão nos refrões, e nas quais uns violinos discretos conferem o tal elemento da tradição celta. Porém, o principal trunfo reside na voz sóbria, calorosa e grave de Ferghal McKee. São dele também as letras carregadas de verve poética, relatos da vida mundana de uma Irlanda em pleno processo de aburguesamento. Por vezes é terno e romântico, para logo no momento seguinte descarregar amargura e sarcasmo.
A abrir, "Twinkle" é a declaração unilateral do fim de um amor. Em parte, "When We Were Young" é glorificação da juventude, com os primeiros amores, a ideia da imortalidade, as primeiras bebedeiras, os pequenos delitos; por outro lado é uma reflexão sobre as consequências que determinados actos menos correctos têm na vida futura de cada um de nós. "Tripped" é a afirmação da individualidade. Já em "The Honeymoon Is Over" o título é sobejamente esclarecedor, embora deixe escapar uma hipotética mensagem sócio-política. "We Don't Need Nobody Else" é grito de rejeição dos heróis terrenos, com especial dedicatória ao vocalista da mais famosa banda irlandesa. "Personality" é o elogio do sexo feminino. No encerramento, com "Morningrise" e a faixa escondida "A Natural", adensa-se a tensão: o primeiro é uma espécie de antevisão do balanço em fim de vida, enquanto o último, em tom puramente declamatório, é a tomada de consciência da doença por parte de um doente mental.
Recebido com grande entusiasmo pela crítica, Heartworm não lograria alcançar resultados comerciais visíveis do ponto de vista de uma multinacional, o que geraria algumas pressões por parte da editora. O sucessor surgiria apenas em 2000, já após a dissolução da banda, através de uma pequena independente.


"When We Were Young"

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O real estado da nação americana


Duas novas bandas ianques a esgravatar no glorioso passado indie. Mais duas...











REAL ESTATE

São um quarteto de Nova Jérsia e, como tal, confessam a sua admiração pelo Boss, um ilustre cidadão da mesma cidade. Mas também por essa lenda neo-zelandesa denominada The Clean. Além disso, no lento arrastar das canções, ligeiramente psicadélicas, espalhadas por alguns discos de pequeno formato vislumbram-se heranças dos saudosos Galaxie 500. Encontram-se ligados à Woodsist, editora mui badalada por estes dias, que conta lançar o primeiro álbum nos primeiros meses do próximo ano.

http://www.myspace.com/letsrockthebeach












DUM DUM GIRLS

O nome, que remete de imediato para os Vaselines, é enganador, pois este é um projecto de uma única girl, uma californiana de Los Angeles. Ela gosta de ser chamada de Dee Dee, no que julgamos ser uma alusão aos Ramones. A coadjuvá-la tem elemntos dos Crocodiles, dos Blank Dogs, e dos fabulosos Crystal Stilts. Ao que parece, além das lendas citadas, a menina ouviu com muita atenção os discos das Ronettes, dos Shop Assistants e, claro está, desse segredo bem guardado do indie norte-americano que dá pelo nome de Black Tambourine. É uma das mais recentes contratações da Sub Pop, que prevê lançar o longa-duração de estreia durante a primeira metade de 2010.

http://www.myspace.com/dumdumgirls

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Em escuta #43







VIVA VOCE Rose City [Barsuk, 2009]
Com a adição de dois novos membros, os Viva Voce contam pela primeira vez em mais de dez anos de história com colaborações exteriores ao casal Kevin e Anita Robinson. Composto e produzido pelos próprios num curto período de tempo, Rose City reflecte simultaneamente urgência e espontaniedade, embora muitos dos temas ostentem claras preocupações melódicas. Equidistantes entre o flower power e o shoegazing, parecem ter perdido o poder lisérgico de outrora. [7]


GRIZZLY BEAR Veckatimest [Warp, 2009]
Se Yellow House (2006) era fechado sobre si, e em certa medida até opressivo, o novo disco expõe os Grizzly Bear à vastidão dos espaços abertos. Com arranjos sumptuosos, especial ênfase no detalhe, e queda para a harmonia, Veckatimest poderia ter sido criado pelos primos "campónios" dos Beach Boys da melhor safra. Em parte, estas belas melodias têm o mesmo poder de sedução dos Fleet Foxes, embora menos imediatas mas, potencialmente, mais perenes. [8,5]


DINOSAUR JR. Farm [Jagjaguwar, 2009]

Logo na abertura com "Pieces" somos confrontados com um riff monstruoso. Porém a melodia é suficientemente catchy. Estamos, portanto, em território dinossáurico. Ao longo de Farm, a formação original renovada desta mítica banda ostenta uma pujança e uma coesão capazes de fazer inveja a muita banda com menos vinte anos de vida. A confiança readquirida faz com que se aventurem por peças altamente estruturadas capazes de ir até ao sete/oito minutos de duração. Como sinal da cicatrização das feridas do passado (há até um tema intitulado "Friends"!), Lou Barlow contribui pela primeira vez com dois temas dentro de um só disco. A parelha funciona como contraponto groovy às composições mais "arrastadas" de J Mascis. [9]


SUNN O))) Monoliths & Dimensions [Southern Lord, 2009]

Metade dos quatro longos temas de Monoliths... nada acrescentam àquilo que já conhecíamos do projecto com liderança partilhada por Greg Anderson e Stephen O'Malley: longas divagações drone obtidas, cortesia das baixas afinações das guitarras, e mantras guturais quase imperceptíveis. Já a liturgia negra de "Big Church", tanto faz lembrar algumas das experiências do minimalista Steve Reich, como muitos dos clichés do black metal. Bem melhor é o instrumental e cinemático "Alice" que, ao integrar teclados, cordas, e sopros, poderá apontar algumas pistas para o futuro. [7,5]


caUSE co-MOTION! It's Time! - Singles & EPs 2005-08 [Slumberland, 2008]

Enquanto não chega o álbum de estreia, It's Time! é uma recomendada porta de entrada no universo deste quarteto nova-iorquino, mais um que escava fundo nas memórias do indie pop canónico. Ao todo, são catorze temas quase indistintos em pouco mais de vinte minutos. Têm a naïvitée dos Television Personalities, a doçura dos Pastels, e até a rudeza dos Wedding Present. Porém, de futuro, pede-se-lhes um pouco mais de variedade. [7]

domingo, 23 de agosto de 2009

De perder os sentidos












Depois de uma curta referência no post anterior, não podia passar em claro o lançamento planeado para breve de um novo registo dos No Age. Trata-se de um EP intitulado Losing Feeling com saída prevista para 6 de Outubro unicamente no formato 12". Nestes quatro temas, a dupla de L.A. dá um claro passo evolutivo, explorando as potencialidades do looping e do sampling para criar estruturas de pendor hipnótico. Não falta, contudo, a habitual tentação pelas guitarras distorcidas e rasgadinhas, de que é bom exemplo o derradeiro "You're A Target". Losing Feeling está já disponível para audição na íntegra a partir do sítio oficial da Sub Pop Records.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O Verão do ódio
















Foto: Alex Kacha

Crocodiles é o nome do disco que deu a conhecer ao mundo a banda dos homens-coelho. E é também o nome de uma jovem dupla de californiana, mais uma que vem engrossar o pelotão de habitantes daquela zona do globo que combate o ennui típico da idade com gravações caseiras altamente recomendáveis. São de San Diego, são amigos dos No Age e, em declarações à Uncut, tratam de dissipar quaisquer dúvidas acerca dos seus intentos: "We feel no affinity to the bulshit fun-in-the-sun culture people think California is all about". Logo na entrada da drum machine no esclarecedor "I Wanna Kill" é impossível não pensar na banda dos manos Reid circa Automatic. Mas nem só de Mary Chain se compõem a dieta musical destes rapazes. Ao longo do debute sugestivamente intitulado Summer Of Hate, vislumbram-se referências avulsas a outras iminências do rock'n'roll mais inconformado, tais como Velvet Underground e Spacemen 3. E digo-vos ainda que, num mundo perfeito, "Soft Skull (In My Room)" era bem capaz de incendiar as pistas de dança de gosto mais refinado.

http://www.myspace.com/crocodilescrocodilescrocodiles

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Ao vivo #40















Foto: Álvaro C. Pereira / Blitz

Festival Paredes de Coura 2009, 29 Jul-01 Ago

Férias grandes dignas desse nome já não passam sem a habitual peregrinação a Paredes de Coura (PdC), pequena vila minhota onde anualmente tem lugar o único festival nacional em que a música é protagonista. Na corrente edição, e apesar de algumas cedências a modas passageiras, o cartaz faz-nos crer ter havido uma tomada de consciência por parte da organização do papel que PdC representa no universo festivaleiro portuga. Nas linhas que se seguem tecem-se breves considerações sobre o melhor, o pior, e o assim-assim deste PdC '09. No final, o top five dos concertos.

Dia 29

Para abrir em beleza o "dia de aquecimento" o colectivo coimbrão Sean Riley & The Slowriders prova que, em território nacional, não tem concorrência à altura no domínio das sonoridades americana (Raindogs?! Quem?!). Além disso, o vocalista tem uma pronúncia da língua inglesa que não envregonha.
Vindos dos states, os Strange Boys são quatro rapazolas filiados na actual fornada de bandas garage rock. Uma aproximação ao palco permite aferir da tenra idade do quarteto, mas também da destreza com que cruzam influências que vão dos históricos Royal Trux aos actuais Black Lips. Uma agradável surpresa.
Principal atracção do dia, Patrick Wolf é um daqueles músicos dirigidos a um nicho específico que, tradicionalemente, dá especial atenção aos cuidados postos na imagem. Com uma indumentária carnavalesca e tiques alegadamente provocadores, foi protagonista do primeiro número circense do festival. Tecnicamente, esperava algo mais do que uma mescla de ritmos dançáveis com sons de violinos que não andam longe de um qualquer sinal de chamada em espera. Pelo meio, e numa tentativa de exibir algum ecletismo, teve o "atrevimento" de interpretar um excerto de Kate Bush (de repente tornou-se a musa de meio mundo... ) e outro de "Gigantic", dos Pixies. Houve quem gostasse...
Para abanar os corpos resistentes, estava reservado o set da dupla Bons Rapazes, autores do programa com o mesmo nome na Antena 3. Ou melhor, estava reservado o DJset de remisturas a cargo de Miguel Quintão, já que Álvaro Costa se limitou a servir de mestre de cerimónias do radialista renega a música que recomendava há meia dúzia de anos, e que conta com uma vasta horda de seguidores/imitadores. E é assim, mesus amigos, que se arruína um estatuto construído pelos excelentes serviços prestados ao longo de décadas... Risível, surreal, e triste...

Dia 30

E esta, hein?! Uma banda australiana que não faz música de carrosel! Num primeiro instante, The Temper Trap surpreendem com a sua pop melódica e delicodoce com alguns laivos de soul, cortesia de um jovem vocalista claramente dotado. Mais à frente, descambam para um desinteressante aparentado dos Bloc Party. O futuro confirmará (ou não) alguns dos excelentes apontamentos deixados.
Coqueluche do meio indie no corrente ano, os Pains of Being Pure at Heart parecem acusar algum nervosismo num concerto algo desinspirado e, por isso, incapaz de causar chispa. Apesar de se apresentarem com uma formação alargada a quinteto, pareceram pequenos demais na imensidão do palco.
Se há dois meses, em Barcelona, os The Horrors denotavam ainda alguma verdura na transposição para palco desta nova faceta, PdC presenciou o à-vontade com que a banda executa os novos temas, claramente influenciados pelas tendências mais negras e atmosféricas da new wave. Num espectáculo denso e intenso, não faltaram algumas saudadas viagens a um passado recente, como o electrizante "Count In Fives".
Sem espalhafato, os Supergrass mostram o porquê de serem dos poucos sobreviventes da vaga britpop que, parecendo que não, surgiu há já 15 anos. Talvez por isso, pareceu-me haver algum desconhecimento dos temas por parte do público mais jovem. Sem pompa, mas com extrema competência, desfilam hinos como "Moving", "Grace", "Pumping On Your Stereo", "St. Petersburg", "Richard III", ou "Caught By The Fuzz", todos eles com lugar reservado no Grande Livro da Pop Britânica. Faltou "Alright", hit maior do qual, desconfio, Gaz Combes & C.ª tentam demarcar-se. Em compensação, os breves instantes de "Sunday Morning" tiveram tanto de inesperado como de mágico. No final, ficou a promessa de um regresso. Que seja para breve...
Estrelas da noite e, quiçá, de todo o festival, os Franz Ferdinand tinham, à partida, a imensa massa humana na mão. Sem surpresas, as reacções de euforia extremada surgiram desde o instante que pisaram o palco. Na primeira meia hora, há que admiti-lo, os escoceses foram demolidores. Foi precisamente neste período que deram especial destaque ao primeiro disco, sem qualquer risco de errar, a obra definitiva do quarteto. A partir daí, a mediania (para não dizer mediocridade) dos novos temas, os evidentes tiques de estrela, e a infindável sucessão de la-la-las, tornam penoso um concerto que se deveria ter ficado por uma duração mais de acordo com os parâmetros festivaleiros.
No palco secundário, a reciclagem do synth-pop descartável ficou a cargo dos Chew Lips, um trio em que pontifica uma menina de carinha laroca e tenra idade. Para o ano, outros ocuparão este lugar.
Em formato DJing, os Holy Ghost! encerram a noite dando continuidade à receita de sons sintetizados para os quais há cada vez menos paciência.

Dia 31

Admitamos que os Bauhaus tenham sido uma banda efectivamente relevante. Mesmo perante este cenário hipotético torna-se incompreensível o número de sósias de Peter Murphy que este pequeno rectângulo continua a gerar, e que tem no vocalista dos Mundo Cão um dos mais recentes exemplos. Levadas a sério, as letras pretensiosas e desprovidas de métrica, da autoria de Adolfo Luxúria Canibal levam-nos a crer que o rapaz (também é actor, dizem-me) é bem capaz de sucumbir a uma overdose de tesão a qualquer momento...
Uma guitarra, uma bateria, dois elementos apenas. Com um indie rock musculado os Blood Red Shoes mostram-se gigantes naquele palco enorme. O público, embora desconhecedor, parece ter gostado.
Há falta dos Mars Volta, a pompa prog foi assegurada pelos americanos Portugal The Man (que raio de nome!). Demasiado aborrecido para merecer quaisquer outras considerações.
Revelada como nome a seguir nas franjas do hip hop, Peaches não é hoje mais que uma figura cartoonesca que deverá ser vista como tal. Por conseguinte, o concerto não é mais que um circo camp de deboche gratuito no qual têm lugar todos os clichés do mau gosto. Para grande surpresa minha, é dela um hit com presença habitual nas pistas de dança da moda.
Embora seja hoje um rebelde no meio discográfico, editando música de forma independente pelos canais abertos pelas novas tecnologias, Trent Reznor tem plena consciência que o pedaço de história reservado aos Nine Inch Nails é assegurado por dois registos editados no período em que era um "servo" da indústria: Pretty Hate Machine (1989) e, sobretudo, The Downward Spiral (1994). Não surpreende então que estes dois discos mereçam especial destaque no concerto de PdC, onde o negro da indumentária de banda e público contrastam com o verde do meio envolvente. Extremamente competentes e profissionais, os NIN foram capazes de despertar em mim um sentimento de saudável saudosismo, ainda que não veja muito sentido num senhor que é hoje rico, sóbrio e feliz (e eu fico feliz por ele) a berrar tiradas do género "too fucked-up to care anymore". O final, ao som do esperado "Hurt", foi deveras tocante.
Logo em seguida, no palco secundário, o momento-Crystal-Castles do ano, com descargas electrónicas básicas e menina berradeira, fica assegurado por uns tais de Kap Bambino.
Do set de fim de noite a cargo dos Punks Jump Up pouco ou nada lembro, o que me leva a crer que não terá diferido sobremaneira dos antecessores. O que, como se sabe, de punk pouco ou nada tem...

Dia 1

Manel Cruz é o melhor letrista português da última década e meia, ponto. E é também um compositor multifacetado, capaz de recorrer a ferramentas pouco tradicionais, como é o caso nestes Foge Foge Bandido, projecto que se socorre de uma parafernália de instrumentos para construir canções de cariz intimista extremamente envolventes. Fica, porém, a sensação de que as canções seriam mais eficazes no recato de uma pequena sala.
Com o quantidade de boas bandas que há no país vizinho, e logo tínhamos de ser brindados com a presença destes The Right Ons (não falta ali um e?)... Quando forem grandes, estes rapazes hão-de ser os Rolling Stones, nem que, para isso, tenham de snifar as cinzas dos pais. Por ora, não passam de uma cópia pálida dos Black Crowes ou dos Spin Doctors, o que, no fundo, vai dar ao mesmo.
Com os Howling Bells é chegada a hora da elegância, tanto pela presença da belíssima Juanita Stein, como pela filigrana das melodias exemplarmente interpretadas. Com um alinhamento democraticamente repartido pelos dois álbuns de originais, parecem ter conquistado novos adeptos numa plateia maioritariamente desconhecedora da sua obra.
Na esperança vã de escutar algum tema da banda que o tornou célebre, é numerosa a plateia para assistir ao concerto de Jarvis Cocker, o que contrasta com a indiferença com que foram recebidos os dois discos editados a solo. Pouco intimidado com a responsabilidade, o ex-Pulp sabe ao que vem: canções maduras recheadas de conselhos aos mais incautos, intercaladas com momentos de puro improviso nonsense. É desta massa que se fazem os melhores performers!
Quando nos cruzamos pela terceira vez com os The Hives, é natural que algumas das piadas do vocalista comecem já a acusar algum desgaste. No que respeita à música, os suecos continuam a debitar uma descarga de rock'n'roll retrógrado, com muita energia e poucos neurónios.
Devido à proximidade geográfica, os portuenses Sizo contaram com uma vasta falange de apoio no palco secundário. Em certos momentos, poderiam ser a encarnação rockeira dos X-Wife, noutros têm o nervo dos Girls Against Boys. Porém, a placidez das canções não justificava os quase sessenta minutos de duração do concerto.
As honras de encerramento do PdC '09 couberam ao actor Nuno Lopes, aqui na sua faceta deejay. Iniciou o set com os previsíveis MGMT e prosseguiu com sonoridades similares. É nestas alturas que me vem à memória a expressão tantas vezes usada pelo meu professor de Inglês no secundário: "Sapateiro, não passes da chinela.".

O Top 5

  1. JARVIS COCKER
  2. SUPERGRASS
  3. THE HORRORS
  4. NINE INCH NAILS
  5. HOWLING BELLS

terça-feira, 28 de julho de 2009

Lost in the woods











Por motivo de férias da gerência, o tasco estará encerrado nas próximas três semanas. Na bagagem, entre outros, segue o novo disco dos norte-americanos Woods, uma recomendação do camarada Pedro, um rapaz que posta pouco mas sempre bem. Songs Of Shame é já o quarto álbum deste colectivo, e é também um portento lo-fi com arremedos de folk esquizóide. Numa descrição algo simplista, diria tratar-se do resultado de um hipotético encontro entre Neil Young e os Galaxie 500 em delírio induzido pela ingestão de ácidos. Dos onze temas, destaca-se uma belíssima versão de "Military Madness", hino anti-belicista da autoria de Graham Nash.
E agora, resta-me desejar ao vasto auditório umas excelentes férias, ou a continuação de um bom trabalho. Qualquer que seja o caso, que seja na companhia de boa música. Hasta!

http://www.myspace.com/woodsfamilyband

domingo, 26 de julho de 2009

Bravo, Capitão!



















Martin Carr, compositor de reconhecidos méritos enquanto líder dos Boo Radleys, acaba de lançar o primeiro álbum em nome próprio. Ye Gods (And Little Fishes) sucede a uma mão cheia de edições sob o moniker bravecaptain, nas quais desenvolveu algumas experiências de cariz electrónico. Já o novo disco, é o regresso ao classicismo pop do período áureo dos Boos, embora com menos pompa e mais intimismo. Por outras palavras, Carr continuar a honrar o valioso legado de Brian Wilson, mas também da dupla Lennon & McCartney, ou não fosse ele um orgulhoso habitante de Liverpool. Alheio aos ditames da moda, teme-se que este seja mais um excelente disco a passar completamente ao lado das atenções do público. É pena...

http://www.myspace.com/martincarrmusic

sábado, 25 de julho de 2009

Good cover versions #23













SIOUXSIE & THE BANSHEES "Dear Prudence" [Polydor, 1983]
[Original: The Beatles (1968)]

Aquando do "retiro espiritual" dos fab four na Índia, John Lennon escreveu "Dear Prudence" dirigida a Prudence Farrow (irmã da actriz Mia), na altura a passar um mau momento. O tema viria ser um dos pontos altos do alinhamento do magistral "álbum branco".
Privados de guitarrista, depois do despedimento de John McGeoch, e com concertos agendados, os Banshees requisitaram os serviços temporários do amigo Robert Smith. Na despedida, para se concentrar de novo nos seus The Cure, o próprio Smith sugeriu que gravassem um single que serviria de documento desta breve passagem. Em sinal da devoção dos Banshees pela música dos Beatles, a escolha recaiu precisamente sobre uma versão de "Dear Prudence". Apesar do peso da responsabilidade, os Banshees não se inibiram, e criaram um dos seus momentos de maior tempero pop. Tão bom que se tornaria o maior hit de toda a carreira. Não deixa de ser irónico que, mais de 25 anos volvidos, ainda há muita boa gente presa às tendências "cinzentonas" de oitentas, gente normalmente avessa à música dos quatro de Liverpool (são muito comerciais, dizem), que desconhece a autoria do original.


quarta-feira, 22 de julho de 2009

O espelho partido










Os californianos The Warlocks, liderados por Bobby Hecksher, outrora integrante desse combo maldito que dá pelo nome de The Brian Jonestown Massacre, estão de volta com aquele que é o seu quinto álbum de originais. Nos oito temas que compõem The Mirror Explodes, o septeto investe em mil e um sons refractados e numa dose generosa de fuzz para criar um disco envolvente e indutor de estados próximos do transe. Talvez por isso, não tenho conseguido parar de o ouvir nos últimos dias. O resultado pode ser comparável ao efeito anestésico dos Spacemen 3 em fim de carreira ou dos Spiritualized dos primórdios. Em baixo, apresenta-se a primeira etapa da "viagem".


"Red Camera" [Tee Pee, 2009]

terça-feira, 21 de julho de 2009

Discos pe(r)didos #28



















HÜSKER DÜ
Metal Circus [SST, 1983]

Nascidos em berço hardcore, os Hüsker Dü cedo manifestaram alguma insatisfação com limitações do género. Nas edições em catadupa que marcaram os primeiros anos de vida do trio de Minneapolis, era notório um progressivo afastamento das temáticas politizadas nas canções de Bob Mould e Grant Hart, os dois compositores-vocalistas de serviço. Em sentido contrário, as questões pessoais e emocionais iam ganhando terreno. O ponto de ruptura definitiva deu-se com Metal Circus, um EP de sete temas originalmente previsto como um álbum (ou mini-álbum) de onze. A intenção inicial foi sabotada por um pequeno insólito: por falta de pagamento da conta da electricidade, a companhia cortou a corrente no estúdio em que os hüskers gravavam. Eram difíceis aqueles tempos...
Nos iniciais e quase-siameses "Real World" e "Deadly Skies" (e nos restantes temas saídos da pena de Mould) ainda está bem patente a velocidade vertiginosa característica dos primórdios. Porém, por entre a muralha de ruído, vislumbra-se um sentido melódico inaudito. No primeiro, Mould, num dos vocais mais furiosos que se lhe conhecem, é contundente para com os fiéis à ortodoxia hardcore: "You want to change the world / By breaking rules and laws / People don't do things like that / In the real world at all". Escrito e interpretado por Hart, "It's Not Funny Anymore" ataca novamente o género "proscrito". Aqui, a paixão pela pop dos Byrds e dos Beatles é assumida sem preconceitos. Seguindo numa linha contígua, "Diane" é o relato do ponto de vista do criminoso de um trágico caso real: a violação e homicídio de uma empregada de mesa local. Na distorção cortante da guitarra, uma certa banda de Seattle, cujo nome começa por N, encontraria a sua génese. Por coincidência, ou talvez não, a frieza da temática de "Diane" é semelhante à de um tema chamado "Polly", certamente vosso conhecido... Já o derradeiro "Out On A Limb" terá sido ouvido vezes sem conta por Charles Thompson e Joey Santiago, dois putos de Boston. A partir dos riffs esquizofrénicos, a dupla desenvolveu a essência de uma lenda chamada Pixies...
Embora padecendo ainda uma produção deficiente derivada da escassez de meios, Metal Circus acaba por ser o passo corajoso e necessário antes da concepção do duplo Zen Arcade (1984), obra incontornável não só da década de 1980, como de toda a música dita alternativa.


"Real World"

Ao vivo #39















Telepathe + Aquaparque @ Galeria Zé dos Bois, 18/07/2009

A ressaca de um longo jejum de concertos fez-me deslocar, no passado sábado, ao aquário da ZdB, sala onde nesta altura do ano as temperaturas rondam o limite do suportável. Coube a sorte às Telepathe, uma dupla de meninas que, não obstante alguma ingenuidade e inexperiência, consegue ser das coisinhas mais toleráveis com proveniência na hiperbolizada "cena" de Brooklyn. Em palco, e logo ao primeiro tema, constata-se alguma desafinação nas vozes, defeito que foi progressivamente debelado. Livres de adornos, directos, e simples nos processos (electrónicos), cada tema parece ser mais atractivo do que em disco. Aí, as atmosferas saturadas - truque já previsível das produções de David Sitek - fazem de Dance Mother um aglomerado de faixas quase indistintas. Tenrinhas mas com algum potencial, é a conclusão final.

Devido a um lamentável atraso, perdi uma boa parte da actuação dos Aquaparque, uma das bandas mais excitantes da produção nacional recente. No pouco que vi e ouvi, foi possível discernir as memórias de alguns dos projectos nacionais mais aventureiros da década de 1980 - GNR, Pop Dell' Arte, Ocaso Épico - diluídas em abastraccionismos deveras intrigantes. Torna-se obrigatório seguir as cenas dos próximos capítulos.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

As novas engenharias










Quatro anos volvidos desde a estreia homónima, os Engineers estão de regresso com Three Fact Fader, acabadinho de editar. Para os mais esquecidos, lembro que esta banda de Leeds, entretanto reduzida a trio, foi pioneira na recuperação das sonoridades shoegazing, algum tempo antes de os exemplares do género surgirem como cogumelos do outro lado do Atlântico. Com maior presença da componente electrónica, o novo disco elimina qualquer traço post-rock do seu antecessor. Ao invés, surge na sonoridade dos Engineers uma certa propensão para o kraut e, sobretudo, uma aproximação aos nu-gazers escandinavos. Este é o primeiro single:



"Clean Coloured Wire" [Kscope, 2009]

quarta-feira, 15 de julho de 2009

10 anos é muito tempo #15



















HEFNER
The Fidelity Wars [Too Pure, 1999]

No activo durante escassa meia dúzia de anos, os Hefner cultivaram a observação atenta do quotidiano dos Smiths e a sinceridade crua dos Wedding Present, características que fizeram deste colectivo britânico uma das paixões dos últimos anos de vida do histórico John Peel, antes do inesperado desaparecimento em 2004. À falta de melhor designação, Darren Hayman, o autor destas minuciosas crónicas de costumes, descreveu a música dos Hefner como urban folk.
Dos dois pares de álbuns - e um número infindável de singles - que deixaram gravados, The Fidelity Wars é o segundo e, porventura, o mais conseguido nos seus intentos. No plano instrumental, as omnipresentes melodias das são enriquecidas com arranjos de cordas, sopros e pianos, sem que o todo resvale para a pop de câmara soporífera. Mas, o grande trunfo de The Fidelity Wars reside nas letras acutilantes de Hayman: todos os onze temas abordam relações amorosas desfeitas quase antes de começarem, muito por culpa da obsessão paranóica do protagonista masculino com o confronto fidelidade-infidelidade. Não fossem uma certa mordacidade e muita ironia amarga, e seriam chocantes os detalhes da vida íntima revelados por Hayman. "The Hymn For The Cigarettes" é no mínimo hilariante ao associar as diferentes marcas de cigarros a diferentes aventuras passadas. No campo dos hábitos politicamente incorrectos, o álcool tem também o seu hino. Já em "Fat Kelly's Teeth" lembra-se o quanto a ingestão de líquidos alcoólicos pode toldar a vista, ao ponto de se vislumbrar a beleza onde ela está ausente. A ex-Raincoats Gina Birch dá um ar da sua graça em "Don't Flake Out On Me", um dueto onde se propõe um rompimento amistoso.


"The Hymn For The Cigarettes"


"I Took Her Love For Granted"


"Don't Flake Out On Me"

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Mixtape #1: The Warmth Of The Sun


Agora que o Verão parece ter vindo para ficar, o April Skies orgulha-se de oferecer a todos os sócios e simpatizantes a sua primeira mixtape: nada mais, nada menos que a banda sonora para toda a vossa época estival. Ou, na pior das hipóteses, de uma boa parte dela. No tempo restante, podem usufruir da mixtape do camarada Eduardo, um rapaz já com largo historial nesta matéria. Ao todo, são vinte temas criteriosamente seleccionados, alguns relativamente recentes, muitos outros nem por isso. Na selecção, imperam a leveza e o espírito juvenil, pois este período não se propicia a grandes responsabilidades ou pensamentos demasiado profundos. A seguir ao alinhamento, indica-se a "morada" desta autêntica receita pop gourmet. É clicar, minha gente!

  1. The Posies "Definite Door" (1993)
  2. The Apples in Stereo "Shine A Light" (1997)
  3. Lush "For Love" (1992)
  4. Velocity Girl "My Forgotten Favorite" (1992)
  5. Liechtenstein "Roses In The Park" (2009)
  6. The Pastels "I'm Alright With You" (1987)
  7. Those Dancing Days "Run Run" (2008)
  8. Camera Obscura "French Navy" (2009)
  9. Comet Gain "If I Had A Soul" (1998)
  10. The Manhattan Love Suicides "You'll Never Get That Guy" (2007)
  11. Beachwood Sparks "Confusion Is Nothing New" (2001)
  12. Belly "Gepetto" (1993)
  13. The Pains of Being Pure at Heart "Everything With You" (2009)
  14. Teenage Fanclub "Star Sign" (1991)
  15. My Sad Captains "A Change Of Scenery" (2009)
  16. God Help The Girl "Come Monday Night" (2009)
  17. Biff Bang Pow! "There Must Be A Better Life" (1984)
  18. Women "Black Rice" (2008)
  19. The Replacements "Bastards Of Young" (1985)
  20. Aztec Camera "We Could Send Letters" (1983)

http://www.mediafire.com/?cy9g4yqmp0n


sexta-feira, 10 de julho de 2009

Histórias do incrível e do bizarro

Pergunto-me quem serão os iluminados responsáveis pela catalogação dos discos à venda naquela cadeia de lojas que adoptou o amarelo torrado como cor oficial. Vem isto a propósito de um dos actuais destaques da secção pomposamente designada Dança / Novas Tendências (é aquela onde se encontram todos os espécimes da música papel-de-parede) ser Fed, a recente reedição do opus de 2002 de Plush, o projecto pessoal de um rapaz que muito esporadicamente nos brinda com discos nunca menos que óptimos. O seu nome é Liam Hayes e soa mais ou menos assim:


Plush "Take A Chance" [download, 2008]

Pelo andar da "dança", não me espantaria que, em breve, se ouvisse Neutral Milk Hotel no Queens, Sparklehorse no Blues Café, Smog no Loft, e Will Oldham no Lux...


quinta-feira, 9 de julho de 2009

Duetos #15















Há coisa de 20 anos, este tema era presença assídua no Sete Mares, um programa dos fins de tarde da Antena 1 (a Antena 3 era ainda uma miragem) muito dado às sonoridades mais outonais. Podem encontrá-lo em Mind Bomb, o primeiro álbum dos The The com Johnny Marr na formação, e aquele que os catapultou para audiências mais alargadas. Nas vozes, para além de Matt Johnson, único membro comum a todos os line ups dos The The, surgia também Sinéad O'Connor, uma "descoberta" recente de The Edge, guitarrista dos U2. À data uma semi-desconhecida, já se pressentia que aquela voz estava talhada para altos voos. E voaria bem alto, até que um acto irreflectido, mas corajoso para alguém que vem de um país onde a Igreja Católica tem ainda um efeito profundamente repressor, a tornaria proscrita em certos meios. São estas, ainda hoje, as regras do establishment do mundo do espectáculo...


The The w/ Sinéad O'Connor "Kigdom Of Rain" [Some Bizarre, 1989]

quarta-feira, 8 de julho de 2009

20 anos de música "merginal"











Fundada por Mac McCaughan e Laura Ballance, respectivamente vocalista/guitarrista e baixista dos Superchunk, com o intuito de lançar os discos da sua banda, a Merge Records leva já 20 anos de história. Desviada do plano inicial, nestas duas décadas a editora sedeada na Carolina do Norte foi responsável por discos marcantes de bandas como Neutral Milk Hotel, Arcade Fire, Lambchop, The Trail of Dead, Polvo, The Clientele e, claro, Superchunk. Para assinalar a efeméride, os últimos meses têm conhecido uma série de edições comemorativas, todas elas com fins beneméritos.
Score! - 20 Years Of Merge Records consiste numa colecção de 14 CDs que fazem o resumo destes últimos 20 anos de edições, com a particularidade de o alinhamento ter sido escolhido por um curador diferente. Georgia Hubley (Yo La Tengo), David Byrne, Peter Buck (R.E.M.), e realizadora Miranda July estiveram entre os "jurados". Sujeita a subscrição entretanto encerrada, a boxset tinha um preço proibitivo nestes tempos de crise.
Mais em conta para o consumidor é Score!... - The Covers, como o próprio título indica, uma compilação de temas originalmente lançados pela Merge. Ao todo, são 20 versões interpretadas por uma série de convidados externos à editora. Da lista fazem parte, entre outros, Les Savy Fav, The New Pornographers, The National, Bright Eyes, Okkervil River, Ryan Adams, The Shins, The Apples in Stereo, e Broken Social Scene. Dos temas escolhidos, os Superchunk são obviamente os mais representados com um total de quatro. Caso estejam interessados, convém que se apressem, pois a edição é limitada a 7000 exemplares. De entre as duas dezenas de versões, não resisto a exibir a transformação radical levada a cabo pelos noiseniks Times New Viking de um original de um certo colectivo canadiano, até há bem pouco tempo visto como a melhor banda de todos os tempos. Ainda se lembram deles, suponho.


terça-feira, 7 de julho de 2009

The Wrestlers
















Num tempo em que as novas bandas optam, quase invariavelmente, por ser pomposas, esquizóides, ou dançáveis-descartáveis, é de louvar a atitude de um grupo de miúdos mal entrados na casa dos vintes que ousa explorar o lado provocador de Mark E. Smith, a veia arty dos Wire, e o elemento pop-punk dos Buzzcocks. Fala-vos dos Let's Wrestle (o nome provém de um tema dos subversivos Joan of Arc, para quem não sabe), uma banda desde há muito acarinhada aqui no April Skies que, com In The Court Of Wrestling Lets, desde a semana passada disponível nas lojas com selo da Stolen Recordings, chega finalmente aos discos em formato longo. Nos dezasseis temas curtos e directos, não faltam as tiradas jocosas que têm como destinatários muitos figurões do showbiz e não só. Johnny Borrell, vocalista dos Razorlight, e a Princesa Diana são apenas dois dos visados. Segue uma amostra:


"We Are The Men You'll Grow To Love Soon"