"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Singles Bar #26


















BELLY

Feed The Tree [4AD, 1993]

"This old man I've talked about

Broke his own heart,
Poured it in the ground.
Big red tree grew up and out,
Throw up its leaves,
Spins round and round.
I know all this and more.
So take your hat off
When you're talking to me
And be there when I feed the tree.
(...)
This old man I used to be
Spins around, around, around the tree.
Silver baby come to me.
I'll only hurt you in my dreams.
I know all this and...
I know all this and...
I know all this and more."

Cansada de ser relegada para segundo plano nos projectos em que se envolveu, em 1992, Tanya Donelly deita tudo para trás das costas e forma os Belly, banda onde foi figura de proa e catalisador de toda a sensibilidade pop de uma das mais belas mulheres da história da dita música independente.
Do álbum de estreia - Star- qualquer tema serviria de exemplo dos propósitos de Donelly. No entanto, Feed The Tree, por ser o single de maior projecção, tem a honra de ilustrar a irresistível proposta dos Belly. À distância de um clique no botão do play no vídeo mais abaixo, está uma canção luminosa, de guitarras em cascatas sonoras, mas que não enjeitam a melodia. Contudo, o brilho mais intenso provém da voz que, embora em tonalidades pueris, não consegue esconder alguma perversão.
Como consequência directa de um intenso airplay nas rádios, "Feed The Tree" catapultou os Belly para um nível de projecção inimaginável, ao ponto de chegarem a ser capa da revista Rolling Stone, normalmente associada ao establishment da indústria musical. Algo a que as antigas companheiras de Tanya, Kristin Hersh e Kim Deal, podiam apenas aspirar em sonhos.


domingo, 16 de novembro de 2008

Máquina do tempo

Viagens de tarde/noite de domingo, em recuperação de um fim-de-semana de má-vida:

JEFFERSON AIRPLANE Surrealistic Pillow [RCA, 1967]
NEIL YOUNG After The Gold Rush [Reprise, 1970]


sábado, 15 de novembro de 2008

Going blank again #41




















THE DECEMBER SOUND

Origem: Boston, Massachusetts (US)
Período de actividade: 2003-
Influências: Loop, Spacemen 3, Chapterhouse, Slowdive
A ouvir: The December Sound (edição de autor, 2007)

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quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Às compras, na Slumberland...

Numa visita recente ao sítio da Slumberland Records, com o intuito de adquirir o álbum dos Crystal Stilts, não tive como resistir a outros tesouros à disposição do cliente. Como estes dois, por exemplo:

BLACK TAMBOURINE
Complete Recordings [1999]

Se a importância de uma banda se medisse pelo volume da obra gravada, então os Black Tambourine (BT) não chegariam sequer a ser uma nota de rodapé no Grande Livro da História do Indie Pop. No curto período de vida - em inícios da década passada - deixaram registadas apenas 10 canções, todas elas incluídas nesta compilação. Fortemente influenciados pelas produções de Phil Spector nos idos de sessenta, tal como muitos dos seus congéneres escoceses, o papel dos BT foi determinante na criação das bases para uma "cena" indie pop norte-americana, ao ponto de, ainda hoje, serem citados entre as referências de diversas bandas. Como as Vivian Girls, por exemplo.

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VELOCITY GIRL
6 Song EP [1993]

Com o fim prematuro dos Black Tambourine, alguns dos seus membros passaram a dedicar-se em pleno ao projecto em que se envolviam simultaneamente, e cujo nome foi retirado de uma das primeiras canções dos Primal Scream- os Velocity Girl (VG).
Antes de assinarem pela Sub Pop, os VG também fizeram parte do catálogo da Slumberland, para a qual gravaram apenas dois singles, cujos temas se encontram reunidos neste EP-compilação. Entre eles está "Forgotten Favorite", uma brilhante canção onde já se vislumbram todos os traços da sonoridade que faria a fama dos VG: uma mistura bem urdida de twee, dream e noise pop.
Após o contrato com a editora de Seattle, como muitos de vós sabereis, os VG tornar-se-iam uma das mais importantes bandas indie pop estado-unidenses com vocalistas femininas de meados de noventas, muitas vezes comparados aos Helium e aos Belly. Cessaram funções em 1997, data a partir da qual a carismática vocalista Sarah Shannon tem desenvolvido uma discreta carreira a solo.

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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Raridades crespusculares


















Todos os sortudos que se cruzem com a presente digressão dos The Twilight Sad terão a oportunidade única de adquirir o novo disco do quarteto escocês, com venda exclusiva na banca de merchandising dos concertos. The Twilight Sad Killed My Parents And Hit The Road é composto por um total de onze temas divididos em três categorias: registos ao vivo, bem demonstrativos da intensidade da banda em palco; alguns inéditos que aguçam o apetite para o próximo álbum; e três versões escolhidas a dedo - "Twenty Four Hours" (Joy Division), "Half A Person" (The Smiths), e "Modern Romance" (Yeah Yeah Yeahs). Deste último naipe, destacaria a versão acústica e caseira do tema da autoria de Morrissey & Marr que, apesar da ausência de qualquer produção, surpreende pela sua simplicidade. Igualmente surpreendente é a capa, na qual, a partir dos personagens já habituais no artwork dos discos da banda, se parodia a icónica capa de Goo, clássico dos Sonic Youth de 1990. Quem foi que disse que os miserabilistas não tinham sentido de humor?


terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ao vivo #29















Six Organs of Admittance + Wooden Shjips + Sic Alps @ Caixa Económica Operária, 07/11/2008

De uma penada, a Caixa Económica Operária recebeu três diferentes propostas da cena californiana. Foi na passada sexta-feira e, em breves resenhas, este escriba conta como foi.

Sem grandes atrasos relativamente ao previsto, coube aos Sic Alps abrir o serão musical. Em cerca de 45 minutos, com os dois membros a alternar entre a bateria e a guitarra, ofereceram ao público aquilo que deles se esperava: desconstrutivismo rock na veia dos Swell Maps, com os dois pés na garagem e a vista fixa no espaço. Caóticos e ruidosos, foram nitidamente prejudicados por alguns problemas técnicos. Nada que os tenha impedido de proporcionar alguns momentos de enérgica intensidade.

Após um breve intervalo, seguiram-se os Wooden Shjips, quarteto liderado por Erik Johnson, um verdadeiro freak fascinado pelo lado mais tribal e ácido do psicadelismo de sessentas. Com um som imponente e algum groove, começaram por prender a atenção de uma boa fatia do público aos primeiros temas. Com o decorrer do concerto - excessivamente longo -, a música dos Wooden Shjips começa a soar algo repetitiva, o que motiva muitos abandonos a meio da contenda. Tecnicamente, os músicos são irrepreensíveis (o baterista, então, é de uma precisão maquinal), mas fiquei com a impressão de que, se retirássemos a abusiva drone machine e o efeito da voz "projectada", a música perderia metade da sua força. No fundo, um daqueles casos em que as ideias resultam melhor em disco do que em palco.

Finalmente, o prato principal. E que prato!...
Ao contrário do que acontecera há dois anos na passagem do alter ego Six Organs of Admittance, Ben Chasny optou desta feita por apresentar um naipe de temas em que a voz é presença constante. Uma escolha sensata só possível graças ao extenso e heterogéneo repertório disponível. Como bónus adicional, do terceiro tema em diante, o músico, até aí solitário, passou a contar com a preciosa ajuda de Elisa Ambrogio (em voz e guitarra) e de um dotado baterista que denota filiações jazzísticas. Neste ponto, o concerto entra numa viagem de verdadeiras convulsões emocionais, com Chasny e a líder dos Magik Markers a entoar duetos emocionados, ora frágeis, ora em explosões de ruído e distorção. John Fahey reunido com Will Oldham e os Sebadoh da primeira safra poderia ser apenas uma imagem parcial dos acontecimentos...
Ao fim de mais de uma hora de puro deleite musical, saiu reforçada a minha admiração por Ben Chasny, um músico talentoso e multi-facetado, com uma entrega e uma humildade invulgares, capaz, como poucos, de proporcionar momentos para mais tarde recordar.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Uma luz na noite

CRYSTAL STILTS
Alight Of Night [Slumberland, 2008]

É com uma alegria indisfarçável vos falo da estreia em formato longa-duração dos Crystal Stilts, a qual confirma todas as expectativas criadas pelo EP homónimo lançado já no decorrer deste ano.
Todos os adeptos da longa tradição "subterrânea" do rock, dos Velvet Underground aos Jesus and Mary Chain, encontrarão em Alight Of Night motivos de satisfação. Se a isto somar-mos uma produção vintage, e um vocalista que, a espaços, parece encarnar o espírito de Ian Curtis, ficam reunidos os condimentos para a obtenção de uma das obras mais sombrias dos últimos tempos.
... e fica assim cumprido o meu dever de divulgação de uma das mais agradáveis surpresas do corrente ano. Mais uma vinda da Grande Maçã, depois das fabulosas Vivian Girls, com as quais os Stilts partilham a menina da bateria.

Crystal Stilts no MySpace

Duetos #7

Preocupado com o estilo de vida auto-destrutivo do amigo, Michael Stipe decidiu escrever uma carta a River Phoenix, alertando-o para os perigos dessa conduta. A carta nunca seria enviada e, nas circunstâncias que todos conhecem, Phoenix morreria, fez no passado dia 31 de Outubro precisamente quinze anos. Tinha apenas 23 anos e era o mais promissor actor da sua geração.
O episódio da carta nunca enviada inspiraria Stipe a escrever a canção que se segue, na qual Patti Smith tem uma pequena mas determinante colaboração. Podem encontrá-la em New Adventures In Hi-Fi, o último álbum gravado pelo quarteto original dos R.E.M. e, por coincidência, o último disco realmente essencial da banda georgiana.


"E-Bow The Letter" [Warner Bros., 1996]

sábado, 8 de novembro de 2008

Going blank again #40

Origem: Atlanta, Geórgia (US)
Período de actividade: 2005-
Influências: Loop, Spacemen 3, The God Machine, Nirvana
A ouvir: Fire On Corridor X (Killer Pimp/Touch and Go, 2008)

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NOTA: Não uma girl band, mas sim a mais estimulante proposta da Touch and Go em anos recentes.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Good cover versions #13











FLYING SAUCER ATTACK
"The Drowners" (Heartbeat, 1994)
[Original: Suede (1992)]

Na primeira metade da década de 1990, a cidade inglesa de Bristol era palco de uma certa revitalização da música negra. Alheios a este fenómeno bastante mediatizado, em simultâneo, habitantes da cidade reuniam-se em alguns dos mais subversivos agrupamentos que a cena musical britânica concebeu ao longo da década.
De entre os projectos bristolianos da época, destacam-se os Flying Saucer Attack (FSA), projecto mutante para o qual convergiam habitualmente membros dos Third Eye Foundation e dos Amp. A linguagem musical praticada era de difícil catalogação: rock espacial na essência, embora contaminado pelo kraut e pela dream pop, e até com alguns resquícios folk. Adam Pearce, o instigador-mor dos FSA, descrevia tudo com um lacónico "rural psychedelia".
"The Drowners" foi o primeiro single da carreira dos fulgurantes Suede, pólo gerador de um justificado hype mediático que tornaria a banda de Brett Anderson um dos mais sérios casos de sucesso em solo britânico, mesmo antes do lançamento do primeiro longa-duração.
Na "reinvenção" dos FSA, "The Drowners" é desde logo identificável pela entrada da bateria, muito semelhante à da versão original. Ao fim de 15 segundos, surge um muro de distorção ao qual se junta a voz sussurrada e algo desencontrada do suporte instrumental. Tendo em conta o estatuto dos Suede em 1994, esta proposta, deveras arrojada, não esconde uma certo impulso provocador.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Liz na terra dos gajos

















LIZ PHAIR
Exile In Guyville [Matador, 1993]

Segundo a autora, Exile On Guyville é a resposta canção-a-canção ao clássico Exile On Main St. (1972), dos Rolling Stones, símbolo do machismo dominante no universo rock'n'roll, num conjunto de 18 canções pautadas por uma visão feminina absolutamente despudorada que revelam uma compositora de excepção.
Assinalando o 15.º aniversário de Guyville, a ATO Records (ligada ao grupo Sony BMG) lançou há alguns meses uma deluxe edition com som remasterizado, os habituais extras, e um dispensável DVD que procura enquadrar o disco no ambiente de Chicago em que foi concebido. Lembro que esta edição constitui uma nova oportunidade de obter aquele que foi o disco de estreia - e obra-prima - de Liz Phair, a par de Juliana Hatfield uma das responsáveis pela emancipação feminina no cenário rock na primeira metade da década passada, e responsável indirecta por produtos de gosto duvidoso como Alanis & derivados.
Em tempos recentes, a própria Liz tem sido autora de discos menos que recomendáveis. Mas nós perdoamos-lhe... É que não é para todas escrever canções onde se descreve a sensação de fazer parte de um vídeo dos Galaxie 500...

"Stratford-On-Guy"

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

For all the fucked up children of the world #6

Regressa a rubrica da "neura" ao convívio dos internautas visitantes deste blogue. Hoje proponho-vos mais uma composição saída da pena desse ser admirável que dá pelo nome de Bob Mould. Como podereis constatar, a música compensa a fraca qualidade das imagens:

Sugar "If I Can't Change Your Mind" [Creation, 1992]

Tears fill up my eyes
I’m washed away with sorrow
And somewhere in my mind
I know there’s no tomorrow
I see you’re leaving soon
I guess you’ve had your fill
But if I can’t change your mind
Then no one will

And all throughout the years
I’ve never strayed from you my dear
But you suspect I’m somewhere else
You’re feeling sorry for yourself
Leaving with a broken heart
I love you even still
But if I can’t change your mind
Then no one will

Even though my heart keeps breaking
Don’t you know that I’ll be waiting
Here for you
Then when you return
When will you return
I hope you see I’m dedicated
Look how long that I have waited
If you come back then you will find
A different person
If you change your mind

How can I explain away
Something that I haven’t done
And if you can’t trust me now
You’ll never trust in anyone
With all the crazy doubts you’ve got
I love you even still
But if I can’t change your mind
Then no one will

Someday you’ll see I’ve been true
I’ll stay that way until
But if I can’t change your mind
Then no one will

Explosões sónicas no Chiado

Peter Kember, também conhecido por Sonic Boom, foi em tempos uma das metades criativas dos Spacemen 3. Com o final daquela seminal banda, o ex-companheiro Jason Pierce construiu uma carreira de sucesso ao comando dos Spiritualized, conhecidos pelo pendor orquestral dos seus discos. Coube a Kember, na obscuridade, prosseguir a demanda aventureira daquela banda de Rugby nos dois projectos subsequentes: os Experimental Audio Research (ou E.A.R.), veículo de construção de paisagens sonoras com colaboradores como Kevin Shields, Eddie Prévost e Kevin Martin (a.k.a. The Bug); e os Spectrum, cultores de um certo hipnotismo drone na linha dos Spacemen 3.
Estes últimos, de quem não tínhamos notícias há mais de dez anos, anunciam para o final do corrente ano a edição de On The Wings Of Mercury, o quarto álbum de originais. Isto, alguns meses depois de um disco em colaboração com o célebre produtor Jim Dickinson (Big Star, The Replacements).
Ainda este mês, os Spectrum deslocam-se pela primeira vez a Portugal para dois concertos: dia 26 no Museu Nacional de Arte Contemporânea, vulgo Museu do Chiado, em Lisboa; e no dia seguinte no Theatro Circo. O primeiro destes acontecimentos contará, obviamente, com a presença deste que vos escreve.

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sábado, 1 de novembro de 2008

Ao vivo #28

Thee Silver Mt. Zion Memorial Orchestra @ ZdB, 30/10/2008

Quando Simon Reynolds recorreu pela primeira vez ao termo post-rock procurava definir algo que, usando as ferramentas do velho rock'n'roll, obtinha resultados difíceis de catalogar como tal. Na ocasião, o jornalista musical inglês fazia a resenha do primeiro álbum dos Bark Psychosis, mas tinha também em mente as aventuras recentes dos Stereolab e dos High Llamas, na altura em inícios de carreira. No domínio público, o termo haveria de tomar um sentido diverso e bem menos abrangente do que a intenção inicial de Reynolds, ficando confinado aos registos instrumentais que começaram a surgir amiúde em meados da década passada, e representados por três entidades distintas: os vanguardistas de Chicago (com os Tortoise à cabeça), os escoceses Mogwai, e os canadianos Godspeed You Black Emperor! (GYBE!). De então para cá, a fórmula destes dois últimos foi explorada ad nauseum, criando um certo esgotamento da mesma.
Talvez ciente desse facto, em inícios da presente década e em paralelo aos GYBE!, Efrim Menuck apresentou ao mundo os A Silver Mt. Zion (e as diferentes variações subsequentes do nome), os quais traziam a novidade da voz. Com o final (não oficializado) dos GYBE!, esta passaria a ser a ocupação a tempo inteiro do mentor do extenso colectivo quebequiano.
Desde já confesso que nunca dispensei muita atenção aos A Silver Mt. Zion, já que, quando surgiram, estava de certa forma desligado destas sonoridades. Depois do concerto de quinta-feira, como se pode aferir de seguida, chego à conclusão que não tenho andado a perder grande coisa.
Ao longo de quase duas horas, Menuck e os restantes quatro músicos que o acompanham, apresentaram meia dúzia de temas longos e indistintos, com fortes marcas de algumas sonoridades setentistas (do southern rock mais pesadão aos Pink Floyd). A fórmula é simples e invariável em cada tema: após o início calmo, com os violinos e o contrabaixo a facilitarem a criação da atmosfera, irrompem os riffs distorcidos da guitarra. Tudo isto é acompanhado pelos lamentos monocórdicos de Menuck que, decididamente, não nasceu para cantar, e os choradinhos esporádicos das duas meninas dos violinos. Recorrendo a um interessante jogo de vozes, e fazendo uso do poder hipnótico da repetição, "1,000,000 Died to Make This Sound" é o único momento verdadeiramente empolgante.
Já que em termos estritamente musicais o serão não trouxe grandes revelações, valha-nos o refinado sentido de humor de Efrim Menuck, como que a afastar a imagem criada em seu redor, em muito derivada das aves necrófagas nas capas dos discos, ou das histórias constantes de destruição e morte, de enforcados e pregadores loucos. Ainda assim, esta faceta humorística não se revelou totalmente eficaz, já que não evitou algumas tiradas menos felizes vindas da assistência.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Going blank again #39















BRIGHT CHANNEL

Origem: Denver, Colorado (US)
Período de actividade: 2002-2007
Influências: Ride, Swervedriver, Echo & The Bunnymen, The Cure
A ouvir: Bright Channel (Flight Approved, 2004)

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quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Singles Bar #25

















TALULAH GOSH
Talulah Gosh [53rd & 3rd, 1987]

Every day she wakes up
Her life will be a movie
All the things she does, written in her diary
But when the day is done, she cannot tell the truth

Pretend her life's exciting
Pretend she'll never lose

Talulah Gosh was a film star for a day
Talulah Gosh was a top celebrity
You can lie to everyone
But please, please don't lie to me

Now she is a popstar
With her own TV show
Tells them all her stories
And hopes they'll never know

Do gosto pelos girl groups de sessentas, alguma northern soul, o punk bublegum dos Ramones, e as bandas post-punk escocesas da editora Postcard, a Grã-Bretanha de meados da década de 1980 via nascer o género que ficou conhecido como twee pop, imortalizado pela célebre cassete C86, suplemento áudio do primeiro número do semanário NME do ano de 1986. Nos meses que se seguiram, multiplicaram-se a um ritmo alucinante os projectos protagonizados por gente jovem, sensível e letrada, seguidora de bandas como Primal Scream, The Pastels, ou Shop Assistants.
Coube aos Talulah Gosh, provavelmente a banda mais paradigmática da nova ordem pop, realizar o sonho de assinar pela editora de Stephen Pastel, uma espécie de guru da comunidade twee, pela qual editariam um punhado de singles antes de implosão em 1988. "Talulah Gosh", o tema, tem todos os ingredientes, talvez no seu estado de maior refinamento, que fizeram a fama da banda liderada por Amelia Fletcher: guitarras chocalhadas, mas harmoniosas, vozes cândidas, e uma ingenuidade desarmante. Tanto o tema como o nome da banda foram inspirados por uma entrevista de Clare Grogan, ocasionalmente actriz e vocalista dos Altered Images, influência mainstream confessa do quinteto de Oxford.
Na década seguinte, a ferida aberta deixada pela morte precoce dos Talulah Gosh seria sarada por duas transfigurações: primeiro os Heavenly, depois os Marine Research. Isto, para além das aparições de Fletcher como convidada dos Pooh Sticks, The Wedding Present e Hefner. No nosso tempo, uma boa fatia da pop produzida na Suécia faz questão de manter bem vivo o espírito da coisa.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

20 anos de motins adolescentes


















SONIC YOUTH
Daydream Nation [Enigma/Blast First, 1988]

Cumprem-se neste mês os vinte anos da edição original de Daydream Nation, o quinto álbum de estúdio dos Sonic Youth (SY), marca indelével em toda a produção dita alternativa subsequente, tanto em solo norte-americano, como além-fronteiras.
Último suspiro da No Wave nova-iorquina, os SY souberam, nos diversos registos editados durante a década de 1980, gerir uma aproximação gradual ao centro, sem nunca descurar o público que se movia nas franjas da música popular. Resultante desse work in progress, e com o caminho desbravado por bandas como Dinosaur Jr. e Hüsker Dü, Daydream Nation é a afirmação definitiva da marca-registada SY, uma amálgama dinâmica de diferentes linguagens e sensibilidades: melodias cativantes de indie pop ("Teen Age Riot", "Candle"), fúria punk-noise ("Silver Rock"), ou experimentalismo puro ("Providence").
Ao longo de 70 minutos - duração pouco usual em discos do "género" -, por entre citações literárias que vão dos omnipresentes poetas beat a autores sci-fi como William Gibson, o quarteto insinua o dealbar de uma nova geração, uma nova América Sónica. Contrariando os mais cépticos, três anos volvidos, o eclodir do teen spirit nas ondas da rádio confirmava a profecia...

"Teen Age Riot"

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Ao vivo #27















The Lemonheads @ Santiago Alquimista, 24/10/2008

Quando sabemos de antemão qual vai ser o alinhamento de um concerto que aguardamos com expectativas em alta, é natural que se perca algo do factor surpresa. Nada que um Evan Dando, agora à frente da mais recente encarnação dos seus Lemonheads, visivelmente inebriado e indisciplinado não resolva. A dada altura, foi o próprio a admitir, no português possível, que 'tava maluco.
Como já terá dado para perceber, face às condições oferecidas, o concerto não foi um primor técnico. Ao ponto de durante a interpretação de "Different Drum" (um das Canções da vida deste escriba, para que conste) Dando ter passado mais tempo a fumar do que a cantar, falta que o baixista tentou suprir sem grande sucesso. Mas que se lixe! Quem é que quer saber de técnica quando estamos a escassos dois metros de um dos nossos "ídolos", em óptima companhia, e a ouvir uma boa vintena de canções dos melhores anos da nossa juventude?

Ao vivo #26















No Age + Lucky Dragons @ ZdB, 23/10/2008

Na passada quinta-feira, a sala da ZdB foi pequena demais para acolher os interessados em assistir ao concerto de uma das mais interessantes bandas do momento presente. Os propiciadores deste acontecimento raro por estas paragens. foram os californianos No Age que, depois de um início tímido, com que de reconhecimento, incendiaram a sala com seu rock desviante, herdeiro das velhas glórias do underground ianque, prenhe de distorção e energia juvenil. Igualmente enérgica foi a resposta do público, principalmente das faixas etárias mais baixas. Os escassos números de shoegazing sub-aquático, na linha de uns My Bloody Valentine do tempo do histórico Loveless, que noutro contexto seriam momentos de desafio, proporcionaram nesta ocasião alguns minutos de relaxamento no meio de tamanha agitação. O final, ao som "Everybody's Down", foi verdadeiramente apoteótico, com o guitarrista Randy Randall a voar sobre o público, e o vocalista/baterista Dean Allen Spunt na frente do palco, agarrado ao suporte do microfone em poses de rock star. Momentos para mais tarde recordar...

No final do concerto dos No Age, certamente que já poucos se lembrariam da banda da primeira parte, os também californianos Lucky Dragons, discípulos das electrónicas minimalistas em progressão e especialistas em sessões de tédio. Como já sabia ao que ia, durante as hostilidades (nunca o termo fez tanto sentido) optei por ficar sentado no chão, como que a guardar forças para o prato principal. Nestas circunstâncias, do palco avistei apenas as imagens pseudo-artísticas que iam sendo projectadas. Já depois do final da contenda, vislumbrei dois rapazolas, duas aves-raras na melhor tradição do bad hair-styling, que teriam, se assim o desejassem, lugar cativo na formação dos of Montreal.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Coast to coast

Da Califórnia ao Massachusetts, em 24 horas.

Hoje:

No Age "Eraser" [Sub Pop, 2008]

Amanhã:

The Lemonheads "If I Could Talk I'd Tell You" [Atlantic, 1996]