"Please don't think of us as an 'indie band' as it was never meant to be a genre, and anyway we are far too outward looking for that sad tag." - Stephen Pastel

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

EM ESCUTA #2


THE SHINS
Wincing The Night Away (Sub Pop, 2007)

Retirar o plástico de um disco novo, de seguida pôr a rodela no leitor, e ouvir as primeiras notas, enquanto se folheia o booklet, é um ritual muito especial para qualquer melómano. Quando esse disco é Wincing The Night Away, o terceiro álbum dos Shins, esse ritual ganha para mim contornos de sagrado.
Lembram-se da cena do filme Garden State em que Sam (Natalie Portman) dizia a Andrew (Zach Braff) que os Shins iriam mudar a sua vida? Pois é, por essa altura já tinham mudado a minha! E depois de ouvir este novo disco em repeat um porradão de vezes, posso garantir que vão mudar a de muito mais gente.
A abrir temos "Sleeping Lessons": início com sintetizadores planantes e a voz de James Mercer naquele timbre que já conhecíamos de "Caring Is Creepy". Já depois dos dois minutos desaparecem os sintetizadores e entram as guitarras e bateria, criando um momento grandioso que nos acompanha até final da canção. A seguir temos "Australia", a faixa mais folk de todas. "Pam Berry" é apenas uma curta faixa daquele neo-psicadelismo-happy-sad em que os Shins são exímios e que serve de ponte para esse monumento pop que é "Phantom Limb" do qual já lhes falei aqui.
Por esta altura da escuta já se percebeu que, apesar de estarmos em terreno conhecido, o som dos Shins está "maior", mais grandisoso, mais límpido, tudo isto no bom sentido.
Mas a grande suspresa aparece em "Sea Legs", canção na qual, por cima de uma batida orgânica que vai beber ao hip hop, Mercer entoa uma daquelas suas letras ambíguas numa cadência que nos faz lembrar o Morrissey de outras eras. Séria candidata a canção do ano!
Até final, e apesar de não haver mais suspresas desde calibre, temos mais seis temas de puro encantamento, dos quais destacaria "Split Needles", feito da mesma matéria de "Phantom...", mas com a adição de uma secção de cordas, e "Turn On Me" que é aquilo que os Arcade Fire deveriam estar a fazer enquanto se ocupam com "intervenções" inconsequentes...
E como lhes dizia, ainda Janeiro não chegou ao fim, e duvido que algum disco a sair durante os próximos 11 meses possa bater Wincing... como disco do ano.
Além disso, e depois de outros dois discos irrepreensíveis, os Shins são, sem qualquer oposição, a banda mais consistente da década.
(Meu caro Stephen, é ao ouvir discos destes que os Pavement deixam de nos fazer tanta falta!)

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

NIN: AS EXPECTATIVAS


Há uns anos atrás costumava dizer a amigos meus que havia três bandas da chamada 1.ª divisão que gostaria de ver ao vivo: New Order, Depeche Mode e Nine Inch Nails.
Consegui ver os New Order em 2005 no Festival SBSR para o qual alguém teve a gentileza de me arranjar um passe para os três dias. De outra forma não iria. E o que teria perdido? Uns New Order em piloto automático, com Peter Hook no papel de exibicionista de serviço (deve ser sempre assim), e alguma euforia nas hostes sempre que vinha do palco um clássico dos Joy Division. Tendo em conta que nesse festival os Hives deram um concerto memorável, até valeu a pena dar um salto ao Parque Tejo.
No ano seguinte, e com bilhete comprado com quase meio ano de antecedência, lá fui eu ver os Depeche Mode ao Atlântico esgotado. Tendo em conta que no dia do concerto as expectativas eram diminutas, a desilusão por ter assistido a um dos 5 piores concertos da minha vida não foi nenhuma.
Agora que se aproxima a data dos NIN, um misto de ansiedade e de dúvida apodera-se de mim. Tendo a música destes um outro tipo de intensidade e actualidade em relação às outras bandas citadas, e sendo certo que os NIN são quase exclusivamente a pessoa de Trent Reznor, estará afastado o risco de ver um grupo de tipos de meia idade que apenas se juntam esporadicamente para dar mais alguns concertos (chego a duvidar que o façam para gravar os discos...).
Mas, à cautela, prefiro não colocar a fasquia muito alta...
(Cartaz: Chris Honeywell, 2005)

domingo, 28 de janeiro de 2007

O HORROR...


Para além de ostentarem uns penteados vistosos, os The Horrors também fazem música. E que música! Num cocktail garage/punk/zombie/surf os moços mostram do que são capazes nos três singles até agora editados: "Count In Fives", "Death At The Chapel" e "Sheena Is A Parasite".
O álbum de estreia, Strange House, tem data de edição prevista para 5 de Março e deverá, de uma vez por todas, colocar a banda fora do "onda" new rave em que foram (erradamente) inseridos.
Por cá, e devido a tenra idade dos músicos, já estou a prever algumas bolsas de resistência junto dos suspeitos do costume...
Para já, dêem uma prenda aos vossos ouvidos e dêem um salto até aqui.

A REVOLUÇÃO

Well look out
Well I’m sick
I’m so sick
Of a lot of people
Tryin’ to tell me
What I can and can’t do
With my life
And I’m tired
I’m so tired
Of a lot of people
In a lot of high places
Don’t want you and me
To enjoy ourselves
Este pequeno pedaço de "poesia" irada vai, em jeito de desabafo, dirigida à imprensa musical publicada neste País. Fala-se sempre das mesmas coisas, criam-se fenómenos patéticos para servir os interesses não sei de quem, vive-se desfasado do momento presente...
A melhor forma de fazer a Revolução é não comprar qualquer publicação. É o que eu faço há já várias semanas. E não me tem feito falta nenhuma!

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

JUST LIKE HONEY...

Nos tempos que correm, as reuniões de bandas defuntas sucedem-se em catadupa. Umas mais bem sucedidas que outras, é certo. Algumas destinam-se apenas a uns quantos concertos, outras dão origem a novos discos. E agora chegou a vez dos Jesus and Mary Chain, banda responsável pelo nome deste blogue, que tinha nos irmãos Jim e William Reid uma espécie de manos Gallagher do seu tempo (no que a cenas de pugilato diz respeito). Até ao momento, o único concerto confirmado ocorrerá na edição deste ano do Festival Coachella (Califórnia, EUA) a 27 de Abril. Nesse mesmo dia, o cartaz do festival conta também com as presenças de Björk, Arctic Monkeys, Sonic Youth, Jarvis Cocker e Interpol.
Pela amostra recente de um festival em terras lusas, só nos resta esperar que esta reunião seja mais Gang of Four e menos Bauhaus, mais nervo e menos naftalina...
Não os querem trazer cá para a gente comprovar? Até vou ao Sudoeste, se for preciso...

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

BEBÉ-DINOSSAURO JÁ TEM NOME

Beyond é o nome do tão ansiado disco de regresso dos Dinosaur Jr., o qual marca também o regresso da formação original da banda aos discos, após quase 20 anos. A data anunciada para a edição deste novo rebento do trio-maravilha é 1 de Maio através da Fat Possum.
Recorde-se que foi com esta formação canónica (J Mascis, Lou Barlow, Murph) que, há duas decadas atrás, os Dinosaur Jr. lançaram dois discos fundamentais na história do indie rock americano: You're Living All Over Me (1987) e Bug (1988), responsáveis por trilhar o caminho para os Nirvana et al. Após a edição de Bug, o relacionamento conflituoso entre Mascis e Barlow chegou a um ponto de ruptura, tendo o segundo abandonado o barco.
Na década seguinte, e quase sempre acompanhado por Murph, J Mascis lançou vários discos sob a capa Dinosaur Jr. sem nunca ter repetido o brilhantismo do passado.
Melhor sorte teve Lou Barlow, pois os "seus" Sebadoh acabariam por granjear um enorme culto durante o mesmo período, tendo ainda tempo para outros projectos como Sentridoh e Folk Implosion.
Com os ânimos serenados entre os dois músicos, os Dinosaur Jr. originais regressaram aos concertos em 2005, tendo mesmo feito parte do cartaz do Festival Sudoeste desse ano. Segundo Mascis, este novo disco surge da vontade de ter canções novas para apresentar nos concertos futuros. Por isso preparem-se: the loud guitars are back!

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

DISCOS PE(R)DIDOS #2

DROP NINETEENS
Delaware (Caroline, 1992)

Do imenso rol de bandas conotadas com o movimento shoegazing, que assolou as tabelas independentes do Reino Unido em inícios da década de 1990, os Drop Nineteens tinham a particularidade de serem os únicos provenientes de terras do Tio Sam. Originiários de Boston, cidade que num passado recente havia revelado nomes fundamentais como Dinosaur Jr., Pixies, Throwing Muses, ou Galaxie 500, os Drop Nineteens eram peixe fora de água no caldeirão indie norte-americano. A sua música, obviamente devedora da influência My Bloody Valentine, encontrava paralelo em bandas britânicas como Ride e Chapterhouse. Chega a ser caricato que o longo tema "Kick The Tragedy", basicamente instrumental, é apenas pontuado pela voz falada da segunda vocalista Paula Kelley num claro sotaque british.
A abrir o álbum, e ao bom estilo shoegazing, a faixa título é uma espécie de intro, onde a voz de Greg Ackell aparece apenas por volta dos dois minutos. Não fosse a voz, e juraríamos estar na presença de uns Mogwai dos primórdios. "Winona", uma espécie de indie hit de então, passados 15 anos consegue hoje manter toda a sua frescura pop incólume. Por seu turno "Angel", com as suas guitarras byrdsianas, figuraria com distinção no álbum Nowhere dos Ride. Num disco propício a uma audição na íntegra, poderemos ainda destacar a faixa "My Aquarium", um dueto entre os dois vocalistas, em que os contrastes entre a voz masculina e feminina proporcionam o momento mais belo de Delaware.
Logo em 1993, e após algumas mexidas no seio da banda, os Drop Nineteens editaram National Coma, o seu segundo álbum. Filiado já nas correntes da música independente americana de então, National Coma é, no entanto, mais um belo disco infelizmente ignorado.
Após a dissolução da banda em 1995, vários membros dos Drop Nineteens enveredaram por outros projectos, quer em bandas, quer a solo, sem terem alcançado resultados visíveis.
We miss you so much boys & girl...

AFINAL, FALTA UMA SEMANA...

Ao contrário daquilo que anunciei há algumas semanas atrás, Wincing The Night Away, o terceiro álbum do Shins, não sai hoje. Ou melhor, sai hoje nos Estados Unidos, e apenas no próximo dia 29 na Europa (leia-se Reino Unido). De qualquer das formas, a encomenda está feita... (Cartaz: © Tara McPherson)

sábado, 20 de janeiro de 2007

GIANT DRAG: 2-1=?

A notícia já tem algumas semanas, mas é nova para mim: Micah Calabrese, o rapaz que acompanha Annie Hardy nesse compêndio do "who's who" do indie pop que é Hearts & Unicorns (disco que evoca as memórias dos Beach Boys, The Breeders, PJ Harvey, Nirvana, Belly..., e que passou despercebido cá na terrinha), abandonou os Giant Drag. Segundo Annie, a banda é a partir de então constituída por ela e por quem estiver disposto. Candidatos não faltarão, com certeza!

SIGAM O ANJO NEGRO

THE BLACK ANGELS
Passover (Light In The Attic, 2006)


"Illness, insanity, and death are the black angels that kept watch over my cradle and accompained me all my life."
A citação acima pertence ao pintor norueguês Edvard Munch. Além de ter sido responsável pelo nome de baptismo da banda texana The Black Angels, vem impressa no layout do seu álbum de estreia, uma das coisas mais intensas e surpreendentes que ouvi nos últimos meses. E faz todo o sentido...se ouvirem o álbum vão perceber porquê...

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

I COULD DREAM ALL DAY...

THE POSIES
Frosting On The Beater (DGC, 1993)

I've got a lot of thoughts
Got a lot of plans
I lost a lot of sleep
Trying to understand
I could dream all day...
(in "Dream All Day")


Logo depois de acordar, e depois do banho tomado, tenho por hábito por a tocar um disquito daqueles que nos deixam bem-dispostos para o resto dia. Este costuma ser uma escolha frequente. E foi a escolha de hoje... e não é que o raio desta música não me saiu da cabeça o dia todo! Há dias assim... em que a melhor coisa a fazer é sonhar!

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

EM ESCUTA #1

CURSIVE
Happy Hollow (Saddle Creek, 2006)

O primeiro pormenor de bom gosto do quinto álbum de originais do Cursive surge logo na capa: aproveitando a coincidência do nome do disco a banda faz uma oportuna espécie de plágio/homenagem a Pills'n'Thrills'n'Bellyaches, obra maior dos Happy Mondays em 1990.
Provenientes da pequena cidade de Omaha, no Nebraska, os Cursive são parte integrante da prolífica cena local ligada à Saddle Creek, editora da qual Conor Oberst é um dos patrões, e que acolhe ainda projectos tão díspares como Bright Eyes (obviamente), Azure Ray, The Faint, ou Now It's Overhead, que não raras vezes colaboram entre si.
Tratando-se de um disco conceptual, tendo como pano de fundo a inadaptação ao progresso da pequena cidade (Omaha), quer ao nível pessoal, que ao nível das relações, Happy Hollow é um passo em frente na carreira da banda ao incorporar uma omnipresente secção de sopros que confere ao todo um ligeiro toque jazzy. Esta experiência já tinha sido aflorada em The Ugly Organ, o registo anterior, mas conhece agora a sua plenitude. Um disco complexo, tanto ao nível das palavras como da música, Happy Hollow tem no seu primeiro single, "Dorothy At Forty", o retrato perfeito: guitarras em constante pára-arranca e a versátil voz de Tim Kasher, ora gritada, ora em falsete, a falar-nos dos sonhos da juventude que não se realizaram. Faixa de grande lirismo, "Retreat!" é simultaneamente o tema mais forte e mais belo do disco: em jeito metafórico Kasher aponta o dedo acusador a alguém que abandonou a luta para não mais a retomar, numa clara alusão ao Messias.
Pese embora o facto de o angst juvenil já ter encontrado a materialização perfeita num certo personagem há mais de 15 anos, Happy Hollow é ainda assim um execelente disco dirigido a pessoas jovens que procuram na música algo mais do que os lugares comuns do emo, e a pessoas menos jovens sem pruridos em relação a sons mais carregados de adrenalina. Oiçam sem preconceitos! É o que eu tenho feito de forma obsessiva há pelo menos duas semanas...

GUITARRAS ANGULARES

THE NEW PORNOGRAPHERS
Mass Romantic (Matador, 2000)

Tenho reparado que na imprensa musical que temos é recorrente o uso da expressão "guitarras angulares" sempre que o escriba se refere a uma banda empacotada no revivalismo post-punk. Ora, para mim, angular é algo com pontas afiadas, pelo que não entendo o porquê da maioria das ditas bandas a que se referem me soarem tão "acetinadas".
Este pensamento surgiu-me quando escutava a faixa-título do álbum acima, o primeiro da banda canadiana, alguns anos antes da obra-prima Twin Cinema (um dos discos mais tocados por cá desde que saiu), no qual, consigo ouvir aquilo que designaria por "guitarras angulares", daquelas de antigamente. E com uma vantagem: a Neko Case canta por cima!

MAGNET #74

E por falar em My Bloody Valentine, o mais recente número da revista Magnet (uma espécie de bíblia cá da casa) publica um interessante artigo no qual Kevin Shields explica a sua versão das histórias relacionadas com a gravação do seminal Loveless. Recorde-se que, segundo a versão de Alan McGee, patrão da Creation, o dinheiro dispendido na gravação desse disco levou a editora à ruína. Além disso, Shields garante-nos algo que deixa qualquer incondicional dos MBV a salivar: "We 100 percent going to do another MBV record unless we die or something". Se eu mandasse, iam já para estúdio!

Para além da escolha dos "melhores de 2006", outros motivos de interesse na corrente edição da revista, na qual Cat Power tem honras de capa, são os artigos com The Melvins e Slint, e entrevistas com Mick Jones e Lee Hazlewood.

DREAM TEAM

A foto dos Primal Scream em epígrafe foi tirada por alturas da edição do álbum Xtrmntr. Para além da banda ser por si só uma "instituição", alguns dos membros que então a integravam tinham um currículo digno de respeito. A saber:
- Bobby Gillespie: The Jesus & Mary Chain;
- Martin Duffy: Felt;
- Mani: The Stone Roses;
- Kevin Shields: My Bloody Valentine.

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

O PUNK MORREU DE MADURO?!

No passado mês de Dezembro, e como forma de comemorar o 30.º aniversário do punk (para o bem e para o mal, um dos mais importantes fenómenos musicais do século passado), a Antena 3 levou a cabo uma iniciativa na qual uma certa personagem iria contar a história e as histórias do dito fenómeno. Seria considerada uma atitude louvável, numa rádio que já nos habituou a um bom serviço público, não fosse a escolha do "contador de histórias de serviço": um personagem que alcançou visibilade há mais de uma vintena de anos, quando a banda da qual faz parte era a melhor banda de tributo aos Clash cá do burgo. Hoje, vão-se arrastando por aí, partilhando público com o Tony Carreira (outro exemplar do punk portuga, este da facção do it yourself) e o rapaz até se aventura no DJing e na rádio. No passado Verão, e fazendo jus à sua polivalência, o moço teve a sua primeira aventura no mundo da stand up comedy. Não fosse o número escolhido a infeliz constatação que o amiguismo também está em grande nos festivais ditos "alternativos", e estaríamos perante mais uma conquista do incansável guerreiro do rock'n'roll tuga.
Mas, deixando de lado a ironia, e passando directamente às histórias contadas, posso dizer que mais não foram do que um contínuo desfilar de banalidades ditas ao acaso, sem qualquer ordem lógica ou cronológica, e pontuadas por verdadeiras pérolas da Língua Portuguesa como "O Johnny Rotten era um expoente grande..." (sic). Resultado: quem ainda não era nascido há 30 anos, e sobre o punk pouco sabe, saiu a saber ainda menos. E a Antena 3 saiu com o seu estatuto de serviço público manchado... Da próxima vez escolham alguém com algo para dizer, sff.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

ANIMAL COLLECTIVE NA DOMINO

É oficial: os Animal Collective assinaram pela Domino Records, que assim vê o seu respeitoso catálogo sair enriquecido. Quem o diz é o sítio oficial da própria editora, onde comunica também que o sucessor do magistral Feels irá ser lançado no próximo Verão. Enquanto se aguarda, e de forma a aliviar a impaciência, poderia ser decretado que todas as discotecas de bom gosto tivessem de passar Grass pelo menos uma vez por noite. E já agora, depois do concerto memorável de 2005, seria bom vê-los de novo por cá (olá programadores de festivais de Verão!).

MANCHESTER RAVE ON!

Longe vão os tempos gloriosos da Madchester, em que a cidade do noroeste de Inglaterra era a capital mundial da música pop. Mais distantes ainda estão as memórias dos Smiths e dos Joy Division. De então para cá, e vindos de Manchester, houve três nomes que, ao primeiro contacto ainda me conseguiram conquistar: Elbow, I Am Kloot e Badly Drawn Boy. Mas foi sol de pouca dura... Agora o caso pode mudar de figura! Esta nova banda, que dá pelo singelo nome de Polytechnic, promete dar que falar. Banda descoberta pela Transgressive Records (uma pequena editora que já nos deu The Young Knives), os Polytechnic acabam de lançar Man Overboard, o seu terceiro single, que constitui um exemplo perfeito da melhor indie pop. Juízos precipitados poderão colar o som da banda aos Clap Your Hands Say Yeah, devido às semelhanças das vozes dos vocalistas. Mas isso é apenas uma questão de pormenor, pois o ambiente planante conferido pelas teclas a esta faixa, e aquele toque de grandiosidade no refrão, nada têm a ver com a banda de Brooklyn. Oiçam e confiram!
P.S.: É óbvio que no tocante a bandas mancunianas, e no pós-Madchester, também gostei dos Oasis. Para mim, Definitely Maybe continua a ser um dos grandes discos da década de 1990.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

DISCOS PE(R)DIDOS #1

SLEATER-KINNEY The Woods (Sub Pop, 2005)

Quando as Sleater-Kinney iniciaram a sua actividade, no ano de 1995, o movimento riot grrrl dava já sinais de algum esgotamento, pelo que o trio de Olympia parecia condenado ao fracasso. No entanto, com uma abordagem diferente de bandas como Babes in Toyland, Bikini Kill ou Hole, com menos "deboche" e um som ligeiramente mais "punkóide", as S-K conseguiram conquistar o seu espaço através de canções curtas, directas e de um feminismo não excessivamente militante. Por volta de 1997, ano do álbum Dig Me Out, o culto restrito conheceu novos aderentes. Apesar do crescimento gradual desse mesmo culto a cada novo disco, a banda nunca conseguiu realmente chegar a um novo patamar. Até que, chegado o ano de 2005, assinam pela Sub Pop (até então editavam pela Kill Rock Stars) que iria lançar The Woods, sétimo disco de originais, embalado num digipack belíssimo, e obra onde a gritaria e cacofonia são elevados ao estado de arte maior. A produção ficou a cargo de Dave Fridmann (Mercury Rev, The Flaming Lips, Mogwai), que levou o som da banda a paragens "progressivas", não no sentido lato da palavra, obviamente, mas mais na coesão entre as canções e maior tempo de duração destas (Let's Call It Love chega aos 11 minutos!). A abrir surge logo o devastador The Fox, espécie de fábula sobre as "tricks of love". Wilderness e What's Mine Is Yours falam das venturas e desventuras da vida a dois, e Let's Call It Love da vida de solidão e encontros casuais. Por sua vez Modern Girl, um dos momentos mais serenos, é a "Irish sea shanty" onde as S-K falam da afirmação pelo consumo. Em Entertain desancam na TV dos reality shows e da recuperação/reciclagem ad nauseum de um passado mais ou menos recente. Mas o momento mais alto do disco é Jumpers: sendo a faixa mais acessível em termos sonoros, consegue ser a mais intensa e dramática em termos líricos. Corin Tucker e Carrie Brownstein cantam em coro e na primeira pessoa todo o trajecto de uma jovem até uma ponte onde pretende dar o "salto final". Já perto do final da canção há um momento arrepiante quando, já após o salto, cantam "four seconds was the longest wait". Uma canção sufocante, desesperada, mas bela, muito bela!
Depois da aclamação crítica e da subida a uma "nova divisão", traduzida numa bem sucedida digressão, e quando ninguém esperava, no Verão de 2006, caiu a bomba: as Sleater-Kinney acabaram. O fim foi oficializado como um "hiato indefinido". Vamos ter fé...

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

EQUIPA REFORÇADA

Desde a sua formação e por um largo período de tempo, a carreira dos Modest Mouse foi um longo e penoso calvário de falta de reconhecimento, o qual culminaria numa acusação de violação de uma antiga namorada ao vocalista Isaac Brock, que acabaria por sair ilibado. Até que chegou o ano de 2004 e com ele o quarto álbum da banda: Good News For People Who Love Bad News. Disco onde se conjugam antagonismos como tradição e experimentação, inventividade e acessibilidade, Good News... rendeu à banda rasgados elogios (mais do que merecidos) quer da imprensa, quer do público, que se traduziram num aumento significativo das vendas relativamente aos registos anteriores. Logo no ano seguinte a fortuna voltava a bater à porta, com Brock a produzir Apologies To The Queen Mary, álbum de estreia dos canadianos Wolf Parade, um dos melhores desse ano e, até ver, um dos melhores da década. Desde o Verão passado os Modest Mouse regressam ao formato quarteto com a entrada de um reforço de peso que dá pelo nome de Johnny Marr. Esse mesmo, o dos Smiths (e dos The The). Ao que tudo indica o novo álbum, de título We Were Dead Before The Ship Even Sank ( o sarcasmo de sempre...), que contou já com a contribuição de Marr, irá ser lançado em Março e a expectiva é grande. Para já, a banda disponibiliza no MySpace aquele que, em princípio, irá ser o primeiro single. Dashboard, assim se chama a nova canção, regressa ao local do crime, ou seja, repete a guitarra frenética do "hit" Float On, se bem que o travo funky deste seja agora substituído por um ambiente, digamos, mais folk. Uma boa amostra, em todo o caso.